Junho Violeta: sinais de violência contra idosos

Unidades de saúde ajudam a identificar negligência, abuso psicológico e violência financeira, além de orientar denúncias e proteção.

A violência contra a pessoa idosa nem sempre deixa marcas aparentes. Em muitos casos, ela se manifesta por meio de sinais discretos, como isolamento social, abandono dos cuidados básicos, medo excessivo de familiares ou mudanças bruscas de comportamento. Durante o Junho Violeta, campanha nacional de conscientização sobre a proteção à pessoa idosa, o alerta é para a importância da atenção tanto no ambiente familiar quanto nas unidades de saúde.

Quando o cuidado vira alerta

Mais do que um problema social, a violência contra pessoas com 60 anos ou mais configura uma violação de direitos que pode afetar a saúde física e emocional. O Estatuto da Pessoa Idosa assegura proteção integral a essa população e prevê punições para maus-tratos, abandono, negligência e diferentes formas de violência, incluindo psicológica, física, sexual, financeira e patrimonial.

De acordo com o médico de Família e Comunidade Raul Queiroz, da UBS Jardim Valquíria, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo gerenciada pelo CEJAM, familiares, vizinhos e profissionais de saúde devem estar atentos a mudanças que fogem ao habitual. Entre os sinais que merecem atenção estão perda de peso sem causa aparente, descuido com a higiene, uso inadequado de medicamentos, medo de determinadas pessoas e alterações significativas de humor.

Principais tipos de violência e orientações

O material destaca quatro formas comuns de violência contra idosos que podem passar despercebidas:

Negligência: caracterizada pela ausência ou recusa de cuidados básicos, como alimentação, higiene, medicação e suporte à saúde. A recomendação é registrar denúncia pelo Disque 100, procurar o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) do município ou acionar a unidade de referência para garantir que o idoso receba os cuidados necessários.

Violência psicológica: manifesta-se por meio de ameaças, humilhações, chantagens, isolamento forçado e restrições ao direito de ir e vir, afetando a autoestima e a autodeterminação do idoso. O indicado é oferecer acolhimento, buscar suporte psicológico e orientação profissional para interromper o ciclo de agressões e restabelecer o bem-estar emocional.

Violência financeira: envolve apropriação indevida de bens, recursos ou patrimônio, podendo ser praticada por pessoas de confiança, cuidadores ou instituições. Exemplos incluem forçar a assinatura de documentos sem explicação, induzir doações, alterar testamentos ou obter procurações de forma irregular. Nesses casos, a orientação é procurar a Defensoria Pública ou o Ministério Público e formalizar denúncia para proteger o patrimônio e os direitos da vítima.

Violência física: ocorre pelo uso da força que provoca dor, lesão ou sofrimento. Durante a pandemia, as denúncias de agressão e maus-tratos contra idosos cresceram 59% no Brasil. Em situações de emergência, é fundamental buscar atendimento médico imediato, registrar boletim de ocorrência e acionar canais de proteção, como o Disque 100 e a Polícia Militar pelo 190.

O papel das unidades de saúde

Nas unidades gerenciadas pelo CEJAM, a Linha de Cuidado da Pessoa Idosa reforça o acompanhamento contínuo na Atenção Primária. Por meio de consultas, visitas domiciliares e atividades coletivas, as equipes observam não apenas as condições de saúde, mas também aspectos emocionais, sociais e familiares que impactam a qualidade de vida do idoso, possibilitando a identificação precoce de situações de negligência, abandono e outras formas de violação de direitos.

Márcia Paschoaleto, gerente da UBS Jardim Maracá, destaca que conhecer a realidade em que o paciente vive é fundamental para compreender suas necessidades e garantir proteção quando há suspeita de violação de direitos. A Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa (AMPI) é uma ferramenta utilizada na Atenção Básica para avaliar o idoso de forma global, indo além do diagnóstico de doenças isoladas.

Além do atendimento clínico, a Linha de Cuidado prevê a articulação com a rede de proteção social, incluindo serviços de assistência social, Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e órgãos responsáveis pela garantia de direitos. Essa integração permite que casos suspeitos recebam orientação e encaminhamento adequados.

Para os especialistas, combater a violência contra a pessoa idosa exige atuação conjunta entre serviços de saúde, assistência social, familiares e comunidade. A atenção aos sinais, o fortalecimento das redes de apoio e a denúncia de situações suspeitas são medidas essenciais para garantir segurança, dignidade e qualidade de vida durante o envelhecimento.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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