Medo da solidão faz jovens ficarem em relações ruins
Pesquisa com 4 mil pessoas aponta que 33% abriram mão de padrões ao escolher parceiro; entre mulheres, índice foi de 35%
Terminar um relacionamento insatisfatório pode parecer mais difícil do que continuar nele. É esse impasse que aparece em uma nova pesquisa da MyIQ, segundo a qual o medo de ficar sozinho e o cansaço da vida amorosa levam muitos adultos a permanecer em relações que não consideram ideais.
A pesquisa ouviu 4.000 pessoas e identificou que 33% sentem ter aberto mão de seus padrões ao escolher um parceiro. Do outro lado, 28% acreditam que seus parceiros também aceitaram menos do que deveriam. Entre as mulheres, a percepção de “se conformar” foi maior: 35%, ante 31% entre os homens.
Jovens de 25 a 34 anos sentem mais pressão
O recorte etário chamou atenção. Entre adultos de 25 a 34 anos, 41% afirmaram já ter questionado se escolheram o parceiro certo para a vida a dois. A faixa também concentra o peso da dúvida sobre compatibilidade a longo prazo, justamente em uma fase em que muita gente tenta equilibrar rotina, expectativas e desejo de encontrar estabilidade emocional.
O levantamento sugere que reconhecer a insatisfação não significa, necessariamente, colocar um ponto-final na relação. Em muitos casos, o receio da solidão, o desgaste de recomeçar e a dificuldade de encontrar alguém que reúna tudo o que se procura acabam empurrando a decisão para depois.
Quando o “bom o suficiente” vira regra
Na prática, isso faz com que parte dos entrevistados opte por permanecer em vínculos apenas “bons o suficiente”, mesmo com a sensação de que poderiam ter escolhido melhor. O resultado é uma convivência marcada por segurança e companhia, mas também por frustração e dúvidas sobre o futuro.
A psicóloga Danielle Roeske, da Newport Healthcare, explicou ao The Post que, quando alguém decide “se acomodar”, isso geralmente envolve ignorar valores essenciais, necessidades de longo prazo ou um sentimento genuíno de atração emocional ou física para seguir no relacionamento.
Já Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio, defende que as mulheres não devem abrir mão de seus padrões. Segundo ele, aceitar menos do que merecem pode trazer estresse, problemas psicológicos e impacto na autoestima e na felicidade.
Mais do que apontar culpados, a pesquisa ajuda a entender um dilema comum: ficar por medo de perder o que já existe ou encarar a incerteza de procurar algo melhor. Para muitas mulheres, a resposta passa por autoestima, clareza sobre o que é inegociável e disposição para não normalizar relações que já não fazem sentido.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



