Emoção e comportamento pesam nas decisões da previdência, diz Vexty no TAG Summit 2026

Painel discutiu risco, ansiedade financeira e ajustes que ajudam participantes a tomar decisões mais saudáveis no longo prazo

A Vexty participou do painel de encerramento do “TAG Summit Conselheiros 2026”, que reuniu especialistas para discutir como decisões complexas são tomadas em um setor que lida diariamente com o futuro financeiro de milhares de pessoas. Sob o tema “Decisões difíceis que tivemos que tomar – e o que aprendemos?”, Vinicius Narcizo, Diretor de Investimentos e Finanças da Vexty, e Francisca Brasileiro, fundadora da Raya Advisory, debateram como técnica, governança e comportamento humano se entrelaçam na previdência complementar. A mediação foi conduzida por Márcia Scaramela, da TAG Investimentos.

A conversa destacou que, embora modelos de investimento — como o modelo de Perfis Data-Alvo da Vexty, que ajusta automaticamente a alocação ao longo do tempo — sejam construídos com rigor técnico e voltados ao longo prazo, o comportamento real dos participantes nem sempre acompanha essa lógica. Em períodos de volatilidade, aumentam os contatos, surgem pedidos de troca fora das janelas e cresce a sensibilidade a oscilações, sinais claros de desconforto emocional. “O maior risco não é o modelo, é o comportamento”, explicou Vinicius, reforçando que decisões técnicas funcionam melhor quando dialogam com a forma como as pessoas realmente reagem ao mercado.

Esse descompasso levou a Vexty a tomar uma das decisões mais relevantes de sua história recente: o lançamento do Perfil Ultraconservador, em 2025. Criado para atender participantes com extrema aversão ao risco ou horizonte de curtíssimo prazo, o perfil tem como base a classe Renda Fixa Soberana, composta por fundos que investem em títulos públicos pós-fixados indexados à Selic. “Era um grupo que simplesmente não tolerava oscilações, mesmo mínimas. E isso, se ignorado, poderia levá-los a decisões prejudiciais, como trocas intempestivas de perfil”, disse Vinicius.

O resultado confirmou a necessidade da iniciativa. Em 2025, o Perfil Ultraconservador registrou valorização de 13,51%, frente aos 14,33% do CDI, com baixíssimo risco — exatamente o que se propunha a entregar. A adesão superou expectativas: o perfil estreou com R$ 70 milhões, encerrou 2025 com R$ 160 milhões e tem projeção de ultrapassar R$ 200 milhões ainda em 2026. Para Vinicius, isso reforça que incorporar o comportamento humano não enfraquece o modelo técnico; aumenta sua efetividade.

Outro ajuste importante na Vexty foi a ampliação das janelas de migração de perfil, que passou de uma para duas por ano. A mudança reduziu o risco de decisões motivadas por pânico ou euforia em momentos específicos do mercado. “O objetivo não era estimular trocas, mas melhorar a qualidade das decisões dos participantes”, observou Vinicius. A medida foi acompanhada de reforço em comunicação e educação financeira, pilares essenciais para que o participante da Vexty, que administra o sétimo maior plano de Contribuição Definida do Brasil, compreenda seu próprio perfil de risco, um tema que se conecta diretamente com finanças comportamentais.

Francisca Brasileiro trouxe uma perspectiva emocional e neurocientífica ao debate. Ela lembrou que o Brasil figura entre os países mais ansiosos do mundo e que isso se reflete no comportamento financeiro. “As emoções sempre falam mais alto do que a razão”, afirmou. Segundo ela, em momentos de incerteza, o cérebro ativa mecanismos de autoproteção que ampliam a sensação de ameaça e distorcem a percepção de risco. “Quando o participante vê a cota oscilar, não é apenas um número que mexe, é o futuro dele”, destacou.

Para Francisca, reconhecer a ansiedade financeira como parte legítima do processo decisório é essencial para construir confiança e orientar escolhas mais saudáveis. Ela defendeu que o papel das entidades previdenciárias vai além da gestão técnica: envolve acolher o medo, traduzir complexidade e criar ambientes em que o participante se sinta seguro para decidir. Essa visão, segundo ela, é indispensável para reduzir comportamentos impulsivos e fortalecer a permanência em estratégias de longo prazo.

Vinicius reforçou que todas as decisões da Vexty são tomadas com base em dados, evidências e governança rigorosa, mas sempre com a consciência de que o participante é, antes de tudo, uma pessoa. Ele destacou que decisões estruturantes, como a criação do Perfil Ultraconservador e a ampliação das janelas de migração, passaram por um processo robusto de análise de sinais, debate entre áreas, avaliação de trade-offs e monitoramento de resultados, combinando métricas quantitativas e indicadores comportamentais. “No fim do dia, o participante é um investidor e um ser humano. Entender suas emoções é o que garante que a estratégia funcione de verdade”, concluiu.

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Por Vinicius Narcizo

Diretor de Investimentos e Finanças da Vexty

Artigo de opinião

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