Dating app burnout: o cansaço de procurar amor
Fenômeno ligado aos apps de relacionamento pode gerar frustração, desgaste emocional e desânimo na busca por conexões mais sérias.
Para muita gente, procurar um relacionamento em aplicativos deixou de ser divertido e passou a cansar. Um fenômeno conhecido como dating app burnout — ou exaustão dos apps de relacionamento — vem sendo associado a frustração, desgaste emocional e desânimo, especialmente entre pessoas que buscam algo mais sério.
O tema ganhou destaque a partir de uma pesquisa da Universidade de Flensburg, na Alemanha, publicada em janeiro deste ano. Segundo os autores, algumas características comuns dos apps, como conversar com várias pessoas ao mesmo tempo, a aceleração das interações e a falta de compromisso, podem afetar negativamente a percepção que os usuários têm de si mesmos e dificultar a construção de vínculos consistentes.
Quando o excesso de opções vira cansaço
Na prática, isso aparece em situações bem conhecidas de quem já tentou “dar certo” online: conversas superficiais, encontros desagradáveis e o famoso ghosting, quando a outra pessoa desaparece sem explicação. O resultado, segundo a pesquisa, não é apenas individual. Os pesquisadores apontam que a exaustão com os apps é também um fenômeno social, alimentado por estereótipos, desvalorização do outro e dinâmicas repetitivas e insatisfatórias.
Em alguns casos, esse desgaste ainda pode se somar a comportamentos sexualmente coercitivos, o que amplia a sensação de frustração e sofrimento. Para muitas mulheres, que costumam relatar mais cansaço com esse tipo de busca, a promessa de praticidade dos aplicativos nem sempre se traduz em conexão real.
Ampliar os encontros fora da tela
Na avaliação da psiquiatra Danielle Admoni, especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) e supervisora na residência de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM), uma saída pode ser ampliar os espaços de socialização para além dos aplicativos. Ela sugere buscar ambientes ligados aos próprios interesses, como cursos, igreja ou grupos de conhecidos, onde exista mais chance de encontrar pessoas com afinidade.
Segundo a médica, isso pode ser mais efetivo do que depender de apps em que muitos usuários estão abertos a encontros, mas não necessariamente a relacionamentos sérios. Essa diferença de expectativa, diz ela, costuma aumentar a frustração de quem quer construir algo mais estável.
A pesquisa alemã também observou que algumas pessoas acabam se afastando totalmente dos relacionamentos, enquanto outras migram para plataformas como o Instagram, vistas como espaços sociais mais amplos e menos diretos. No fim, o fenômeno revela um paradoxo atual: nunca houve tantas formas de contato, mas criar conexões profundas continua sendo um desafio.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



