Cirurgia conservadora da mama tem baixa reoperação no Brasil

Estudo com 698 pacientes indica taxa de 5,2% de nova cirurgia e reforça a importância do planejamento cirúrgico e de equipes especializadas.

Um estudo brasileiro com participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) apontou uma baixa taxa de reoperação após a cirurgia conservadora da mama em pacientes com câncer de mama em estágio inicial. Entre as 698 mulheres avaliadas, apenas 5,2% das submetidas à quadrantectomia precisaram passar por uma nova cirurgia.

O dado chama atenção porque a reoperação costuma acontecer quando a retirada inicial do tumor não alcança margens consideradas adequadas. Na prática, isso pode significar mais tempo de recuperação, mais custos e novos riscos de complicações para a paciente.

O que o estudo avaliou

A pesquisa, intitulada “Taxas de reoperação após cirurgia conservadora de mama em uma coorte contemporânea”, foi publicada pela revista BMC Surgery e reuniu pesquisadores de seis centros de tratamento no Brasil — cinco privados e um público. As pacientes foram acompanhadas em procedimentos realizados entre janeiro de 2016 e dezembro de 2022, sempre com cirurgia conservadora seguida de radioterapia adjuvante.

Segundo o estudo, a taxa de reoperação foi maior no hospital público, chegando a 9,9%, enquanto nos hospitais privados ficou em 4,8%. Os autores dizem que esses números precisam ser interpretados com cautela, inclusive porque a amostragem do serviço público foi menor.

Por que isso importa para o tratamento

Além de reforçar a segurança oncológica da cirurgia conservadora, a pesquisa destaca a importância do bom planejamento cirúrgico e do acesso a equipes especializadas. Para a mastologista Anne Dominique Nascimento Lima, coordenadora do estudo, havia escassez de dados sobre a taxa de reoperação no país, o que torna o levantamento especialmente relevante.

O estudo também identificou fatores associados ao risco de nova cirurgia. O carcinoma ductal in situ (CDIS) esteve ligado a maior chance de reoperação, enquanto a ausência de doença multifocal apareceu como um fator de menor risco.

Um recado para a prática clínica

Na avaliação dos pesquisadores, a baixa taxa observada sugere bons resultados cirúrgicos na população estudada. Ao mesmo tempo, o trabalho reforça uma mensagem importante para o cuidado em saúde: planejamento cuidadoso, investigação rigorosa e acesso ampliado a centros especializados podem ajudar a reduzir a necessidade de novas intervenções.

Para mulheres que enfrentam o diagnóstico de câncer de mama, isso significa mais chance de um tratamento cirúrgico bem planejado desde o início, com impacto direto na recuperação e na experiência ao longo do processo.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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