Parkinson: estudo quer prever perda de equilíbrio

Pesquisa da USP acompanha mais de 200 pacientes por três anos para identificar sinais precoces antes das quedas em pessoas com Parkinson.

Quedas estão entre os maiores riscos para pessoas com Doença de Parkinson — e, em muitos casos, elas vêm depois de um processo silencioso de piora do equilíbrio. É justamente esse momento anterior à queda que um estudo inédito na USP quer entender melhor, acompanhando mais de 200 pacientes por três anos.

O projeto é conduzido pela fisioterapeuta Dra. Erica Tardelli, presidente da Associação Brasil Parkinson (ABP), no doutorado intitulado “Preditores motores e cognitivos do declínio longitudinal do equilíbrio dinâmico em pessoas com Doença de Parkinson”. A proposta é identificar quais características presentes no início da doença podem prever uma piora importante da estabilidade ao longo do tempo.

O foco não é a queda, mas o que acontece antes dela

Segundo a pesquisadora, a ideia não é estudar o acidente em si, e sim o caminho que leva até ele. Esse olhar importa porque as quedas podem resultar em hospitalização, perda de independência e piora da qualidade de vida.

O estudo parte de uma informação já conhecida na literatura citada no projeto: cerca de 60% das pessoas com Parkinson sofrem ao menos uma queda por ano, e dois terços delas apresentam quedas recorrentes. Para a equipe, entender os sinais precoces pode ajudar a agir antes que a segurança fique comprometida.

Além dos sintomas motores, atenção à cognição

A pesquisa vai observar não apenas os sintomas motores clássicos — como rigidez, tremor e lentidão dos movimentos —, mas também fatores cognitivos, como atenção, memória e funções executivas. A hipótese é que essas alterações podem ter papel importante na piora do controle postural.

As avaliações serão anuais, realizadas na Associação Brasil Parkinson, com testes reconhecidos internacionalmente para medir gravidade motora, cognição e equilíbrio dinâmico. A meta é construir um modelo capaz de prever quais pacientes têm maior probabilidade de perda funcional ao longo dos anos.

O que o estudo pode mudar na prática

Na visão de Erica Tardelli, pessoas no mesmo estágio da doença podem evoluir de formas muito diferentes. Por isso, identificar os fatores que antecipam a piora do equilíbrio pode ajudar médicos, fisioterapeutas e familiares a agir mais cedo.

Se os resultados confirmarem a relação entre esses sinais iniciais e a evolução do Parkinson, a pesquisa pode fortalecer estratégias de reabilitação mais individualizadas e ampliar o cuidado com a mobilidade e a autonomia das pacientes e pacientes ao longo da doença.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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