SUS integra o que a rede privada ainda fragmenta
Pesquisa TIC Saúde 2025 revela internet e prontuário quase universais, mas IA em só 18% dos serviços e pouca troca de dados entre sistemas
O Brasil já universalizou o acesso digital na saúde, com quase todos os estabelecimentos equipados com internet e prontuário eletrônico. No entanto, a inteligência por trás dessa digitalização ainda é limitada, conforme revela a 12ª edição da Pesquisa TIC Saúde 2025, divulgada em maio pelo Cetic.br/NIC.br. Apenas 18% dos estabelecimentos de saúde adotam inteligência artificial (IA), e seu uso está concentrado em tarefas operacionais, distantes da tomada de decisão clínica.
Para Antonio Carlos Matos da Silva, conselheiro independente associado ao IBGC e especialista em acesso à inovação em saúde, focar apenas na IA é tratar o sintoma e ignorar a doença. “Não existe inteligência artificial confiável sobre dados frágeis. O Brasil corre para adotar a ferramenta da moda antes de organizar a base, e tecnologia de ponta sobre base institucional incompleta não gera desenvolvimento. Só moderniza a precariedade”, afirma.
Integração pública supera a privada
Um dado que inverte o senso comum é a capacidade de troca de informações entre diferentes pontos do sistema. Nos encaminhamentos eletrônicos de pacientes, a rede pública alcança 64% de uso, enquanto a rede privada registra apenas 28%. “Onde se esperava agilidade, há silos. Onde se temia atraso, há direção”, observa Matos da Silva. Ele destaca que o SUS possui a intencionalidade pública necessária para conectar o sistema, enquanto o setor privado, apesar de adotar rapidamente tecnologias, costuma tratar cada dado como uma ilha.
Impactos da fragmentação
A fragmentação dos dados compromete a continuidade do cuidado, enfraquece a vigilância epidemiológica e limita o potencial da própria IA que o setor privado busca implementar. A pesquisa também aponta que, entre os estabelecimentos que já utilizam IA, a maioria recorre a modelos generativos de uso geral, como ChatGPT e Gemini, frequentemente de forma informal e sem governança específica para o manejo de dados sensíveis.
O caminho para a saúde digital avançar
Segundo Matos da Silva, a próxima fase da saúde digital brasileira exige menos fascínio por ferramentas e mais foco em arranjos institucionais: processos definidos, proteção de dados, sistemas integrados, profissionais qualificados e cooperação entre os setores público e privado. “Segurança de dado e uso responsável de IA não são pauta de TI, são pauta de conselho. Enquanto cada instituição tratar o próprio dado como ilha, a tecnologia melhora o processo local e só aprofunda a ilusão de que o sistema avançou”, conclui.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



