Nomofobia e text neck: os sinais do excesso de celular
Especialistas alertam para ansiedade, piora do sono e dores na coluna ligadas ao uso prolongado do celular e das telas.
O celular tornou-se uma extensão da rotina diária, mas para muitos, também é fonte de ansiedade e dores físicas. Especialistas dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru destacam duas condições associadas à hiperconectividade: a nomofobia, que é o medo ou ansiedade de ficar longe do celular, e a síndrome do pescoço de texto, conhecida como text neck.
O Brasil conta com cerca de 185 milhões de usuários de internet, conforme o levantamento Digital 2026 do DataReportal, e quase 90% da população com mais de 10 anos utiliza celular diariamente, segundo o IBGE. Com o aumento do tempo de exposição às telas, crescem também os sinais de desgaste físico e mental.
Ansiedade, sono prejudicado e dificuldade de concentração
O psiquiatra Marcelo Heyde explica que o excesso de estímulos digitais mantém o cérebro em busca constante de recompensas imediatas, o que pode afetar a concentração, a memória, a qualidade do sono e a regulação da ansiedade. Esse padrão cria um estado de alerta contínuo, levando a pessoa a checar o celular repetidamente.
Um estudo do portal nomophobia.com indica que 60% dos brasileiros sentem medo ou ansiedade ao ficar longe do celular. Além disso, uma análise global publicada em 2025 na revista Psychiatry Research, com mais de 30 mil participantes de 18 países, revelou que metade das pessoas apresenta nomofobia moderada e 20% sofrem com níveis graves do transtorno.
O consumo de vídeos curtos e a rolagem infinita nas redes sociais reforçam esse ciclo de uso prolongado, aumentando o tempo conectado.
Impactos físicos do uso excessivo do celular
Além dos efeitos emocionais, o uso repetitivo do celular está relacionado a dores musculares, piora da ergonomia e sobrecarga na coluna. O ortopedista Mauro Fernandes Junior observa que, após a pandemia, houve aumento significativo das queixas de dores musculares e na coluna, inclusive entre adolescentes e jovens adultos.
A síndrome do pescoço de texto ocorre devido à posição inclinada da cabeça durante o uso prolongado do celular. Quanto maior a flexão do pescoço, maior a pressão sobre a musculatura e as estruturas da coluna cervical. A cabeça, que pesa cerca de 5 kg, pode exercer uma sobrecarga equivalente a até 27 kg em determinadas posturas.
O uso excessivo também pode causar tendinites, dores musculares e a síndrome do túnel do carpo, caracterizada por formigamento, dormência, perda de força e dificuldade para segurar objetos.
Medidas para prevenção
Especialistas recomendam manter o celular na altura dos olhos, fazer pausas regulares, alternar posições, praticar atividades físicas e fortalecer a musculatura do pescoço, ombros e costas. Além disso, o controle do estresse, o sono adequado e a atenção à ergonomia são fundamentais para prevenir dores crônicas e lesões.
Em um mundo cada vez mais conectado, usar o celular com consciência é essencial para proteger a saúde mental e física.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



