Etarismo começa no olhar e afeta a velhice
Psicóloga da PUCPR defende reconhecer a velhice em sua diversidade, sem estereótipos, para combater preconceitos e exclusão.
Falar de etarismo é falar de algo que muitas vezes passa despercebido no dia a dia: piadas, impaciência, olhares de pena e até a ideia de que pessoas mais velhas devem apenas “descansar”. Em artigo, a psicóloga Flávia Maria de Paula Soares, professora da PUCPR, defende que combater esse preconceito começa pelo olhar — e pelo reconhecimento de que existe mais de uma maneira de viver a velhice.
O ponto central do texto é simples, mas importante: não há uma única velhice, e sim “velhices”, com histórias, relações, trajetórias e também futuros possíveis. Para a autora, envelhecer não significa perder valor ou potência criativa. Pelo contrário: a velhice pode ser um tempo de reconstrução, autenticidade e novos projetos.
Quando o preconceito vira prática cotidiana
Segundo a autora, o etarismo se manifesta em estereótipos e discriminação com base na idade. A definição dialoga com o Relatório Mundial sobre o idadismo (2022) e com o Relatório da Comissão da Organização Mundial da Saúde sobre Conexão Social (2025), citados no texto.
O problema, explica o artigo, é que essas ideias aparentemente inofensivas têm efeitos reais: podem favorecer adoecimento, isolamento, sentimentos de exclusão e solidão. Em outras palavras, não se trata de “brincadeira”, mas de um comportamento que afeta a vida concreta de muitas pessoas idosas.
O que pode mudar essa realidade
O artigo aponta alguns caminhos para enfrentar o etarismo:
• reconhecimento nas relações próximas, como família, amigos e amores;
• inclusão social e comunitária, sem tratar a velhice como sinônimo de afastamento;
• escuta, acolhimento e diálogo entre gerações.
Flávia também destaca que a mudança precisa ser coletiva. Não basta uma transformação individual se o ambiente social continuar reproduzindo preconceitos. Para ela, educar, desenvolver empatia e fortalecer a convivência intergeracional são passos essenciais para uma sociedade que reconheça a velhice em sua diversidade, potência e dignidade.
O tema ganha ainda mais relevância porque a autora organiza a VII Ação Intergeracional Contra o Etarismo – PUCPR, marcada para 15 de junho de 2026, das 19h às 21h, e 19 de junho, das 8h30 às 12h30, no Centro de Realidade Estendida da PUCPR. O evento é aberto à comunidade e gratuito.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



