Catarata e glaucoma: quando a cirurgia ajuda
Estudo aponta queda da pressão ocular e menos uso de colírios após cirurgia em alguns casos de glaucoma
Uma dúvida frequente nos consultórios oftalmológicos é se pacientes com glaucoma podem realizar cirurgia de catarata. A resposta é afirmativa, e o procedimento pode, em determinados casos, auxiliar no controle da pressão intraocular e reduzir a necessidade de colírios.
O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, explica que a cirurgia não cura o glaucoma, mas pode facilitar o manejo da doença. A adesão ao tratamento e o acompanhamento médico permanecem essenciais.
Relação entre catarata e glaucoma
Segundo Queiroz Neto, a progressão da catarata torna o cristalino mais espesso, dificultando a drenagem do fluido intraocular. Isso pode levar ao aumento da pressão dentro do olho e à morte das células do nervo óptico, agravando o glaucoma.
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia estima que o Brasil possui cerca de 2,5 milhões de casos de glaucoma, uma doença silenciosa que avança sem sintomas perceptíveis.
Resultados da pesquisa
Um estudo publicado no American Journal of Ophthalmology avaliou 623 pacientes com glaucoma de ângulo aberto e constatou redução da pressão intraocular e menor uso de colírios após a cirurgia de catarata.
Em pacientes com glaucoma de ângulo fechado, a retirada do cristalino pode resolver diretamente a causa do fechamento do canal de drenagem do humor aquoso, aumentando as chances de reduzir ou eliminar o uso de colírios.
Variação conforme o estágio do glaucoma
Para casos leves a moderados de glaucoma de ângulo aberto, de 30% a 50% dos pacientes conseguem interromper o uso de colírios após a cirurgia isolada de catarata. Quando combinada com o implante de um micro stent, essa taxa pode chegar a 70% a 80%.
Em casos avançados, a cirurgia isolada raramente substitui os colírios, servindo principalmente para evitar picos de pressão intraocular.
Cuidados pós-operatórios
O principal risco para pacientes com glaucoma é o pico de pressão intraocular após a cirurgia, que pode ser causado por fragmentos da substância viscoelástica usada no procedimento, inflamação cirúrgica ou uso de corticoides.
Os cirurgiões estão preparados para tratar rapidamente essas situações. Ainda assim, o maior risco para pacientes com glaucoma continua sendo a falta de adesão ao tratamento.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



