Autismo em mulheres: por que o diagnóstico tarda
No Dia do Orgulho Autista, especialistas destacam sinais do TEA em mulheres e adultos que ainda passam despercebidos
No Dia do Orgulho Autista, celebrado em 18 de junho, cresce a atenção para um problema que ainda é comum: o diagnóstico tardio do Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente entre mulheres e adultos. Embora o autismo esteja presente desde a infância, muitas pessoas chegam à vida adulta sem uma avaliação adequada e passam anos enfrentando desafios sociais, emocionais e sensoriais sem compreender sua origem.
Por que tantas mulheres só descobrem o autismo depois?
De acordo com a psiquiatra Fabrícia Signorelli, pesquisadora do Ambulatório de TDAH da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os critérios diagnósticos do autismo foram historicamente baseados em estudos predominantemente realizados com meninos. Isso contribui para que muitas mulheres recebam o diagnóstico apenas na adolescência ou na vida adulta.
“Historicamente, os critérios diagnósticos do autismo foram construídos com base em estudos realizados predominantemente com meninos. Hoje sabemos que muitas mulheres podem apresentar características diferentes, o que contribui para que o diagnóstico aconteça apenas na adolescência ou na vida adulta”, explica a especialista.
Camuflagem social pode esconder sinais importantes
Um dos fatores que dificultam o reconhecimento precoce do TEA é a chamada camuflagem social. Muitas mulheres autistas desenvolvem estratégias para mascarar suas dificuldades de interação social, observando e reproduzindo comportamentos de outras pessoas para se adaptar a diferentes ambientes.
“Em muitos casos, essas estratégias acabam ocultando sinais importantes do autismo. A pessoa consegue se adaptar socialmente, mas frequentemente às custas de um grande esforço emocional, o que pode gerar sofrimento psíquico, ansiedade e sensação constante de inadequação”, afirma Fabrícia.
Na prática, isso significa que o TEA pode passar despercebido por muito tempo, mesmo quando já afeta a rotina, as relações e o bem-estar da pessoa.
TEA e TDAH podem coexistir
Especialistas também destacam que o autismo pode coexistir com outras condições do neurodesenvolvimento, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Reconhecer cada uma dessas condições é fundamental para orientar o acompanhamento e o tratamento de forma individualizada.
“Quando TEA e TDAH estão presentes simultaneamente, é fundamental compreender como cada condição impacta a rotina da pessoa para que as estratégias terapêuticas sejam definidas de forma personalizada”, explica a psiquiatra.
O tratamento do TDAH pode incluir acompanhamento psicológico, intervenções comportamentais e, quando indicado pelo médico, medicamentos. Além dos psicoestimulantes, existem opções não estimulantes, como a atomoxetina, aprovada no Brasil para o tratamento do transtorno.
“Essa abordagem torna-se ainda mais complexa quando o TDAH está associado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição na qual o manejo farmacológico se mostra significativamente mais desafiador, tanto em termos de eficácia quanto de tolerabilidade. Nesses pacientes, a presença de outras comorbidades psiquiátricas é determinante na escolha terapêutica. Enquanto para algumas pessoas os estimulantes serão a escolha mais assertiva, para outras, os não estimulantes surgem como uma opção eficaz e segura. Portanto, o tratamento do TDAH em pessoas com autismo exige uma conduta altamente individualizada”, ressalta Fabrícia Signorelli.
O alerta central é claro: reconhecer os sinais do autismo para além dos padrões mais conhecidos na infância pode transformar trajetórias, aliviar sofrimentos e abrir espaço para um cuidado mais adequado na vida adulta.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



