Em que mundo sua empresa está? VUCA, BANI ou PLUTO?
Da volatilidade à tensão geopolítica, três modelos ajudam a entender por que planejamento rígido já não basta.
Em que mundo você está? VUCA, BANI ou PLUTO? O mundo mudou. A lógica de gestão de muitas empresas, ainda não
Por Alfredo Passos, coordenador do Grupo de Excelência em Inteligência Competitiva – GEIC, do CRA-SP
Durante anos, o conceito de VUCA foi suficiente para descrever o ambiente onde as organizações operavam em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo. Desconfortável, mas ainda havia uma crença implícita de que, com análise e bons dados, a incerteza poderia ser reduzida.
A pandemia desmontou isso. Cadeias de suprimento consideradas robustas travaram. Modelos de negócio sólidos perderam relevância em semanas. Decisões que pareciam seguras se mostraram frágeis muito antes do previsto.
Foi nesse contexto que Jamais Cascio propôs o BANI, em 2020. A virada aqui é importante: enquanto o VUCA descreve o ambiente, o BANI expõe o efeito desse ambiente nas estruturas e nas pessoas:
- Frágil (brittle), porque sistemas aparentemente sólidos colapsam sob pressão;
- Ansioso (anxious), porque operar sem referência clara gera tensão contínua;
- Não linear (non-linear), porque causa e efeito deixam de ter proporção;
- Incompreensível (incomprehensible), porque nem sempre mais informação leva a mais entendimento.
Isso desmonta uma crença muito difundida: a de que mais análise leva automaticamente a decisões melhores. Em muitos casos, hoje, leva apenas a decisões mais lentas.
E o cenário ficou ainda mais complexo. O modelo PLUTO, discutido pelo IESE Business School, adiciona uma camada que os dois anteriores não capturam: a tensão geopolítica e sistêmica. Um mundo polarizado, líquido nas suas regras, unilateral nas suas decisões, tenso nas relações e omni relacional, onde tudo impacta tudo o tempo inteiro.
Três modelos, uma mesma conclusão: o ambiente não vai voltar a ser estável o suficiente para que o planejamento tradicional funcione como antes. E é justamente aí que muitas empresas começam a se perder. Continuam operando com uma lógica que pressupõe estabilidade suficiente para planejar com precisão. Refinam análises, aumentam controles, investem em tecnologia. Faz sentido, até certo ponto.
O problema é quando eficiência vira rigidez. Em um ambiente como o atual, eficiência sem flexibilidade pode acelerar o erro. Tecnologia, sem mudança na forma de decidir, frequentemente vira custo mal aproveitado.
E existe um fator que quase sempre aparece, mas raramente recebe atenção: a maior parte das transformações não trava por falta de tecnologia. Trava por resistência humana. Cultura, comportamento, modelos mentais.
No cenário atual, não é o mais eficiente que vence. Nem necessariamente o maior. É quem aprende mais rápido. Quem se adapta antes. E quem consegue agir enquanto outros ainda estão tentando entender.
E sua empresa? Em que mundo ela está?
Por Alfredo Passos
doutor em Administração e coordenador do Grupo de Excelência em Inteligência Competitiva – GEIC, do Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP
Artigo de opinião



