Nova tecnologia detecta ceratocone antes dos sintomas
Pesquisa publicada no American Journal of Ophthalmology aponta ferramenta de IA capaz de identificar risco em estágio subclínico.
Uma nova tecnologia de inteligência artificial pode revolucionar a detecção do ceratocone, uma doença que afeta a córnea e pode levar a sérios problemas visuais. Conforme pesquisa publicada no American Journal of Ophthalmology, o TSPI (Thickness Speed Progression Index) é capaz de identificar o ceratocone em estágio subclínico, ou seja, antes do aparecimento dos primeiros sintomas.
O ceratocone geralmente se manifesta na infância ou adolescência, fases em que alterações visuais podem ser confundidas com outras condições, como o astigmatismo. O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, em Campinas, destaca que o diagnóstico precoce é fundamental para preservar a qualidade da visão e reduzir a necessidade de transplantes no futuro.
Funcionamento da tecnologia
O exame que utiliza o TSPI é rápido e indolor. Ele integra o equipamento Galilei, que realiza um mapeamento tridimensional milimétrico da córnea, com o software de inteligência artificial que calcula a velocidade de alteração da espessura do tecido. Essa combinação transforma imagens ópticas em dados preditivos precisos, permitindo a identificação precoce do ceratocone.
O estudo envolveu 349 participantes, divididos em grupos com córneas normais, ceratocone manifesto, casos suspeitos e astigmatismo irregular. O TSPI demonstrou 100% de precisão na distinção entre córneas normais e com ceratocone manifesto, além de manter um desempenho clínico relevante de 93% na identificação de casos suspeitos e assimétricos, que são os mais difíceis de diagnosticar precocemente.
Importância do diagnóstico precoce
O ceratocone enfraquece a córnea, que é a lente transparente na frente do olho, fazendo com que ela assuma um formato cônico. Isso provoca astigmatismo irregular e distorção visual significativa. A doença tem múltiplas causas, incluindo fatores hereditários, alergias oculares, apneia obstrutiva do sono, olho seco, blefarite e o hábito de coçar os olhos.
Segundo Queiroz Neto, na fase subclínica, a estrutura interna do colágeno da córnea já está fragilizada, embora o formato do olho ainda esteja preservado. Essa é a fase ideal para intervenção, pois o objetivo é proteger a córnea e impedir a progressão da doença, não apenas recuperar a visão perdida.
O especialista recomenda que pessoas que sentem coceira nos olhos, especialmente à noite, utilizem protetores oculares acrílicos durante o sono para evitar o atrito das mãos e os microtraumas na córnea. Ele reforça que coçar os olhos deve ser evitado por todos.
Essa inovação tecnológica reforça a importância de buscar avaliação oftalmológica ao notar alterações visuais, principalmente em crianças, adolescentes e indivíduos com histórico familiar de ceratocone.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



