Autismo e ciência: debate destaca cuidado ao longo da vida
Simpósio no Brain Congress 2026 discutiu sistema endocanabinoide, neurodesenvolvimento e a importância de apoio multidisciplinar no TEA.
O autismo e os desafios que acompanham o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ao longo da vida foram tema central de um simpósio promovido pela Prati-Donaduzzi durante o Brain Congress 2026, realizado em Porto Alegre (RS). Voltado exclusivamente a médicos prescritores, o evento abordou evidências científicas recentes sobre o sistema endocanabinoide, o neurodesenvolvimento e a necessidade de um cuidado integral que ultrapasse a infância.
O que a ciência revela sobre o sistema endocanabinoide
Alline Campos, pesquisadora da USP e doutora em Ciências Biológicas, explicou que o sistema endocanabinoide é um mecanismo biológico presente em todo o organismo, responsável por regular funções como sono, humor, memória e comportamento. Estudos recentes indicam que alterações nesse sistema podem estar associadas ao autismo, o que tem estimulado pesquisas sobre o potencial terapêutico do canabidiol (CBD).
Segundo Alline, os resultados até o momento apontam benefícios principalmente em sintomas como ansiedade, irritabilidade, agressividade e distúrbios do sono. No entanto, ela ressaltou que a comunidade científica ainda busca consolidar evidências sobre dosagens, protocolos e resultados clínicos, evidenciando a necessidade de novos estudos.
O autismo e as diferentes fases da vida
A psiquiatra Marília Pessali destacou que o TEA se manifesta de formas distintas ao longo da vida, exigindo abordagens específicas para infância, adolescência e vida adulta. Ela explicou que o cérebro e o ambiente mudam com o tempo, assim como os desafios e sintomas apresentados.
Em determinados períodos, a ansiedade pode se intensificar; em outros, podem surgir depressão, insônia, agressividade ou outras condições associadas. Compreender essas variações é fundamental para planejar intervenções e estratégias de tratamento mais eficazes.
O cuidado que envolve toda a rede de apoio
O psicólogo Thiago Toledo ressaltou que o diagnóstico de autismo provoca uma reorganização profunda na dinâmica familiar, e que o cuidado não deve se restringir apenas à pessoa com TEA. É essencial oferecer acolhimento e orientação também aos familiares e cuidadores.
Aline Fidelis, mãe de Luca, uma criança autista de cinco anos, nível 3 de suporte e não verbal, compartilhou sua experiência durante o simpósio. Ela relatou que o diagnóstico foi um momento de ruptura, mas também de aprendizado e resiliência. Para Aline, a ciência tem papel fundamental ao fornecer respostas embasadas que auxiliam as famílias a encontrar caminhos mais seguros e informados.
Ao concluir, a Prati-Donaduzzi reforçou seu compromisso em promover discussões científicas baseadas em evidências, contribuindo para a atualização dos profissionais de saúde e a melhoria contínua do cuidado aos pacientes.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



