Junho Vermelho: o que impede a doação de sangue
Especialista explica restrições temporárias, definitivas e desmistifica crenças comuns
Com a chegada do Junho Vermelho, campanha nacional que reforça a importância da doação de sangue, surge a dúvida: quem pode realmente doar? A hematologista Camila Gonzaga, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), explica que muitas restrições são temporárias e que, em diversos casos, a pessoa pode voltar a doar após o período adequado de espera.
Essa informação é fundamental para combater a desinformação que afasta potenciais doadores. Procedimentos como tatuagens, uso de medicamentos, cirurgias e até episódios recentes de gripe ou anemia costumam gerar apenas inaptidão temporária, e não impedimento definitivo.
Restrições temporárias para doação
Algumas condições exigem que a doação seja adiada. Entre as mais comuns estão quadros de resfriado, gripe, alterações momentâneas na pressão arterial ou frequência cardíaca, anemia por deficiência nutricional, uso de determinados medicamentos, cirurgias recentes e viagens ou residência em áreas com arboviroses como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
O tempo de espera varia conforme a situação: para resfriado comum, a doação é liberada após sete dias sem sintomas; para gripe, o intervalo é de 15 dias após a recuperação. Procedimentos como endoscopia geram inaptidão temporária de seis meses.
Em procedimentos odontológicos, o tempo depende da complexidade: uma extração simples requer cerca de uma semana de espera, enquanto cirurgias com enxerto podem exigir até 90 dias. No caso de anemia, a doação só é permitida após o tratamento e seis meses com exames laboratoriais normalizados.
Gestantes não podem doar sangue. Após parto ou abortamento, a doação costuma ser liberada após 12 semanas, desde que a mulher não esteja amamentando.
Restrições definitivas para doação
Algumas condições impedem a doação permanentemente. São elas infecções crônicas como HIV, hepatites B e C, Doença de Chagas e HTLV I e II. Pessoas com histórico de câncer, doenças cardiovasculares graves (infarto, AVC, insuficiência cardíaca, arritmias complexas), insuficiência renal avançada e doenças autoimunes graves, como lúpus, artrite reumatoide de difícil controle e esclerose múltipla, também não podem doar.
Além disso, pessoas com diabetes que utilizam insulina ou que apresentam complicações vasculares, renais ou neurológicas estão impedidas. Esses critérios seguem normas do Ministério da Saúde e da Anvisa para garantir a segurança de doadores e receptores.
Mitos que afastam doadores
Alguns mitos ainda afastam potenciais doadores. A doação é permitida para pessoas entre 16 e 69 anos; menores de idade precisam de autorização por escrito e acompanhamento de responsável legal. Não é necessário jejum, mas recomenda-se uma refeição leve e evitar alimentos gordurosos e bebidas alcoólicas nas 24 horas anteriores.
O volume de sangue coletado representa menos de 10% do total e é rapidamente reposto pelo organismo, não causando falta. A doação também não altera a viscosidade do sangue, não o afinando nem engrossando.
Pessoas com tatuagem ou piercing podem doar após seis meses do procedimento na pele. Para piercings em mucosas, a espera é de um ano após a retirada.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



