Dia dos Namorados pode virar cobrança emocional
Terapeuta explica por que presentes, sexo e jantares podem pesar quando o casal já vinha distante e sem conversa no dia a dia.
O Dia dos Namorados é tradicionalmente marcado por presentes, jantares e declarações de amor, mas para muitos casais, a data pode funcionar como um termômetro da relação. Quando a convivência já está marcada por distância, pouca comunicação e uma rotina no automático, a expectativa de uma “noite perfeita” pode se transformar em uma cobrança emocional.
A terapeuta familiar Aline Cantarelli, especialista em relacionamentos conjugais e reconstrução de vínculos familiares, explica que o problema não está na celebração em si, mas no fato de que muitos casais tentam resolver em uma única noite o que deixaram de cultivar durante o ano.
Quando a data vira prova de amor
De acordo com Aline, é comum que os parceiros tenham expectativas diferentes para o Dia dos Namorados: um espera romantismo, outro encara a data de forma mais simples; um deseja sexo, enquanto o outro está emocionalmente distante; um quer presença, e o outro tenta compensar com um presente. Essa falta de alinhamento pode transformar gestos carinhosos em fontes de frustração.
“Muita gente cria expectativa de ganhar flores, receber atenção, ter um jantar diferente, sentir desejo, proximidade e presença. Mas o Dia dos Namorados não costuma criar nada de novo no casal. Ele só revela como aquela relação já estava antes”, afirma a terapeuta.
Assim, pequenos detalhes — como um restaurante cheio, um presente sem surpresa ou a falta de clima — podem ganhar um peso desproporcional quando a relação está fragilizada.
O sinal de alerta está na rotina
Aline destaca que um comportamento comum em casais distantes é funcionar apenas no modo operacional, com conversas restritas a boletos, filhos, mercado, escola, trabalho e tarefas domésticas. Embora tudo funcione, quase nada se conecta emocionalmente.
“O casal fala sobre o que precisa ser feito, mas não fala sobre o que sente, deseja ou precisa. Aos poucos, a relação vai ficando parecida com uma sociedade doméstica”, avalia.
Essa dinâmica empobrece a intimidade e faz a relação perder profundidade. Sem presença real, a expectativa de uma grande noite romântica pode se transformar em mais pressão do que prazer.
Como evitar a cobrança emocional
A terapeuta recomenda que os casais conversem antes da data para alinhar expectativas: o que cada um deseja? Um jantar fora, um programa em casa, uma noite sem celular, um presente simbólico ou apenas tempo de qualidade?
Ela também aponta sinais de que a cobrança emocional já está presente: quando o presente é visto como prova de amor, a ausência de sexo é interpretada como rejeição, há comparações com outras relações nas redes sociais ou qualquer falha na noite termina em discussão.
Como alternativa, Aline sugere gestos pequenos e constantes, como reservar ao menos 15 minutos diários para uma conexão real, sem televisão, celular ou tarefas no meio, fortalecendo o vínculo ao longo do tempo.
Em resumo, flores, presentes e jantares são bem-vindos, mas não substituem presença, conversa, toque e cuidado. “O que sustenta o casal não é uma grande noite por ano, e sim aquilo que os dois escolhem cultivar no cotidiano”, conclui.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



