Magreza extrema nas redes e saúde mental jovem
Psicóloga alerta para comparação constante, risco de recaídas e sinais da ortorexia, obsessão patológica por comer só o que é considerado saudável.
A volta da magreza extrema como padrão estético, muitas vezes chamada de “Heroin Chic 2.0”, acende um alerta importante: a repetição desse modelo nas redes sociais pode mexer diretamente com a saúde mental dos jovens. Em vez de inspiração, a exposição constante a corpos muito magros pode alimentar comparação, ansiedade e distorção da própria imagem.
Quando a tela vira régua para o próprio corpo
Segundo a psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Giorgia Ocinschi, o problema cresce porque os algoritmos amplificam esse tipo de conteúdo, criando um ambiente de comparação permanente. Nessa lógica, o jovem passa a medir a própria realidade por filtros, poses e imagens editadas.
“A exposição contínua a imagens de corpos extremamente magros, amplificada pelos algoritmos de redes sociais, cria um ambiente de comparação constante. Casos de anorexia nervosa e bulimia podem aumentar por conta desse cenário de comparação”, explica Giorgia Ocinschi.
O efeito pode ser especialmente duro para quem já teve transtorno alimentar. A especialista afirma que ver a privação corporal ser romantizada novamente nas mídias sociais aumenta o risco de recaídas. Também pode surgir ou piorar a dismorfia corporal, condição em que a pessoa foca obsessivamente em supostas falhas na aparência ou distorce o que vê no espelho.
Ortorexia: quando “comer bem” vira obsessão
Além da anorexia e da bulimia, o texto chama atenção para a ortorexia, transtorno em que a pessoa desenvolve uma obsessão patológica por consumir apenas alimentos considerados saudáveis. A diferença para uma alimentação equilibrada está no grau de rigidez: na ortorexia, a comida deixa de ser nutrição e passa a ocupar um lugar moral, como se certos alimentos fossem “bons” e outros, “ruins”.
Entre os sinais citados pela psicóloga estão:
– examinar rótulos de forma obsessiva;
– eliminar grupos alimentares sem justificativa médica;
– evitar festas, viagens ou jantares por não controlar a comida;
– passar horas planejando refeições;
– julgar outras pessoas por não seguirem a mesma dieta.
“O paradoxo da ortorexia é que, em nome de uma saúde perfeita, a pessoa restringe tanto o cardápio que acaba desenvolvendo desnutrição crônica, anemia, perda de peso perigosa e isolamento social. O corpo adoece justamente pela busca cega pela saúde”, comenta a especialista.
Tratamento pede apoio profissional
A ortorexia ainda não está oficialmente listada como transtorno isolado nos manuais diagnósticos, mas pode exigir acompanhamento multidisciplinar. O processo envolve psicoterapia, nutrição comportamental e, quando necessário, apoio psiquiátrico.
Num momento em que a magreza extrema volta a circular como ideal, o recado é claro: saúde não se resume ao que aparece na tela nem ao número na balança.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



