Diagnóstico tardio em TEA, TDAH e TOD preocupa especialistas

Identificar sinais precocemente pode transformar o desenvolvimento e a autonomia infantil

O reconhecimento tardio de sinais relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) e altas habilidades pode comprometer significativamente o desenvolvimento infantil. Especialistas ressaltam que a intervenção precoce é fundamental para potencializar o desenvolvimento, orientar a família e ampliar a autonomia da criança ao longo da vida.

Importância do tempo no neurodesenvolvimento

O crescente debate sobre saúde mental e neurodesenvolvimento infantil tem ampliado o número de diagnósticos, mas também evidenciado que muitas crianças ainda chegam tardiamente para avaliação. Para Marcela Oliveira, especialista em neuroreabilitação infantil e fundadora da Clínica Follow Kids, o tempo é um fator crítico. Ela afirma que “quando a gente fala de desenvolvimento infantil, tempo é variável crítica. Não é só sobre diagnóstico, é sobre o que se faz com ele e quando se começa”.

Segundo Oliveira, o que se observa atualmente não é apenas um aumento de casos, mas uma melhora na capacidade de identificar sinais mais cedo. Ainda assim, o atraso no início do acompanhamento terapêutico pode custar anos importantes do desenvolvimento.

Distinções entre os quadros e suas necessidades

Embora frequentemente mencionados juntos, TEA, TDAH, TOD e altas habilidades apresentam características distintas. No TEA, os níveis de suporte variam conforme as necessidades da criança, desde quadros leves até casos que demandam suporte intensivo. No TDAH, manifestações como desatenção, impulsividade e hiperatividade impactam o desempenho escolar e as relações sociais. O TOD é caracterizado por comportamentos desafiadores, opositores e, muitas vezes, agressivos.

Crianças com altas habilidades podem enfrentar desafios menos evidentes, como desmotivação, isolamento social ou dificuldades de adaptação ao ambiente escolar tradicional. Oliveira destaca que “existe uma tendência de olhar apenas para o déficit ou apenas para o talento, quando, na prática, o desenvolvimento é sempre multifatorial. Uma criança pode ter uma habilidade muito acima da média e, ao mesmo tempo, dificuldades importantes em outras áreas”.

O papel da família e da escola

O diagnóstico impacta não apenas a criança, mas também a dinâmica familiar. A compreensão do quadro pela família é essencial para que ela participe ativamente do processo terapêutico. No ambiente escolar, o suporte pode incluir mediações, adaptações pedagógicas e planos individualizados, embora essas medidas ainda representem desafios para muitas instituições.

Oliveira ressalta que “a inclusão não é só colocar a criança na sala. É garantir que ela tenha condições reais de aprender e se desenvolver ali dentro”.

O acompanhamento indicado costuma ser multidisciplinar, envolvendo terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia e acompanhamento médico. Para os especialistas, o caminho mais efetivo começa cedo, com avaliação cuidadosa e um plano ajustado ao perfil de cada criança.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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