IA, interoperabilidade e segurança na saúde digital
Debates do CTISD 2026, na Hospitalar, destacaram desafios para escalar inovação, integrar sistemas e reforçar a proteção de dados.
Inteligência artificial, interoperabilidade e segurança digital estão no centro de uma virada importante na saúde brasileira. Esses foram alguns dos temas mais discutidos no CTISD 2026, realizado durante a Hospitalar, que reuniu CIOs, CMIOs, lideranças hospitalares, especialistas internacionais e representantes do ecossistema de saúde digital.
O recado do congresso foi claro: a transformação digital deixou de ser promessa de futuro e passou a influenciar eficiência, sustentabilidade, segurança do paciente e até a gestão financeira das instituições.
IA na saúde: do teste à escala
Um dos debates mais fortes do encontro tratou da inteligência artificial. A tecnologia já aparece em diferentes frentes da saúde, mas o desafio agora é sair da fase experimental e criar projetos que realmente funcionem em larga escala.
Para os especialistas presentes, não basta adotar ferramentas novas. É preciso governança, alinhamento com as necessidades assistenciais e definição clara de valor clínico. Adriana Passos Bueno, Coordenadora Médica de Tecnologia e Inovação do A.C.Camargo Cancer Center, destacou que as solicitações de tecnologia precisam partir da área demandante para gerar resultado concreto para a instituição e para o cuidado ao paciente.
Leonardo Shimada, Gerente de Produtos Digitais e Tecnologia da Beneficência Portuguesa de São Paulo, reforçou que começar pequeno, testar e validar foi essencial para ganhar confiança interna e expandir soluções com segurança.
Interoperabilidade ainda esbarra em falta de profissionais
Outro ponto central foi a interoperabilidade, tema cada vez mais urgente com o avanço da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) e a necessidade de integrar hospitais, operadoras, laboratórios e sistemas públicos.
Apesar do avanço da digitalização, o setor ainda enfrenta gargalos técnicos e uma carência importante de profissionais capacitados. Paula Xavier, Diretora do Departamento de Informação e Informática do SUS, afirmou que muitas vezes não há pessoas preparadas nos padrões usados atualmente, o que trava a integração entre sistemas.
Governança, cibersegurança e confiança clínica
O congresso também colocou em destaque a cibersegurança e a governança de dados. Com o aumento dos ataques a instituições de saúde no mundo, a preocupação com proteção de dados e resposta a incidentes passou a fazer parte da agenda executiva dos hospitais.
A Resolução CFM nº 2.454/2026, que regulamenta o uso da inteligência artificial na medicina brasileira, foi citada como um marco para o setor. Brenna Loufek, Diretora de Regulamentação e Qualidade de IA na Mayo Clinic e integrante do board da HIMSS, defendeu que governança deve ser vista como apoio à inovação, e não como obstáculo.
Ao fim do encontro, ficou a percepção de que a saúde digital já ocupa lugar estratégico nas instituições. O desafio agora é combinar tecnologia, qualificação profissional, segurança regulatória e valor real para pacientes e serviços.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



