Apostas na Copa podem aumentar risco de vício
Psiquiatra alerta que grandes eventos esportivos elevam a exposição ao jogo e destaca sinais de alerta, prevenção e tratamento.
Com a proximidade da Copa do Mundo, cresce a movimentação nas plataformas de apostas esportivas — e também a preocupação de especialistas com o risco de Transtorno do Jogo. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, a condição pode surgir quando o comportamento de apostar deixa de ser eventual e passa a ser repetitivo, compulsivo e prejudicial.
Segundo o psiquiatra Ivan Araújo, professor de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS), o risco aumenta em períodos de grande exposição ao tema. A intensa cobertura midiática, o marketing agressivo e o envolvimento emocional com os jogos criam um ambiente que favorece o comportamento de aposta.
O que está por trás do vício
O especialista explica que a dependência não se resume à expectativa de ganhar dinheiro. O cérebro passa a responder à promessa de recompensa, principalmente quando ela acontece de forma imprevisível. Por isso, pequenos ganhos ocasionais podem reforçar a continuidade do comportamento, mesmo após várias perdas.
As plataformas de apostas também usam recursos que aumentam o engajamento, como notificações constantes, bônus promocionais e recompensas variáveis. Na prática, esses estímulos dificultam o controle e podem levar a apostas mais frequentes do que a pessoa imagina.
Quem merece atenção redobrada
Há grupos com maior vulnerabilidade ao desenvolvimento do transtorno, especialmente pessoas com histórico de impulsividade, TDAH, transtornos por uso de substâncias, transtornos do humor e ansiedade. Mas o alerta vale para todo mundo. “A principal armadilha é acreditar que conhecimento esportivo reduz o risco”, afirma Ivan Araújo.
De acordo com o psiquiatra, mesmo quem entende muito de futebol continua sujeito às mesmas probabilidades matemáticas e aos mesmos vieses cognitivos de qualquer apostador.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
O transtorno costuma avançar de forma silenciosa. Entre os sinais mais comuns estão:
– aumento progressivo dos valores apostados;
– preocupação excessiva com apostas;
– tentativas frustradas de parar;
– irritabilidade ao ser impedido de jogar;
– tentativa de recuperar perdas apostando mais;
– prejuízos financeiros, familiares, acadêmicos ou profissionais.
“Muitas vezes o indivíduo procura ajuda apenas quando já existem dívidas importantes, conflitos familiares ou sofrimento emocional significativo”, alerta o psiquiatra.
Como reduzir os riscos
A recomendação dos especialistas é tratar as apostas apenas como entretenimento, nunca como investimento ou fonte de renda. Definir limites de tempo e dinheiro antes de começar, evitar crédito ou empréstimos para apostar e interromper a atividade ao perceber perda de controle são atitudes importantes.
Familiares e amigos também têm papel essencial, especialmente na observação de adolescentes e jovens adultos. Quando há suspeita de Transtorno do Jogo, a busca por atendimento especializado deve acontecer cedo. O tratamento pode incluir psicoterapia, especialmente Terapia Cognitivo-Comportamental, e acompanhamento psiquiátrico para ansiedade, depressão e outros transtornos associados.
“O diagnóstico precoce e a intervenção adequada aumentam significativamente as chances de recuperação”, conclui Ivan Araújo.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



