Saúde da mulher: a dívida da medicina com as mulheres
Especialista aponta falhas históricas no diagnóstico e tratamento de dores femininas, como endometriose, adenomiose e miomas.
Normalizar a dor feminina ainda é um dos maiores problemas da saúde da mulher. “Achei que era normal” é uma frase comum nos consultórios quando o assunto é dor incapacitante, sangramento prolongado, fadiga inexplicada e demora para fechar diagnósticos que poderiam ter sido feitos antes.
Esse alerta ganha destaque no Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, celebrado em 28 de maio, e revela uma dívida histórica da medicina com o corpo feminino: por décadas, ele foi tratado como exceção, enquanto o masculino foi usado como padrão universal de pesquisa e cuidado.
Quando a dor é tratada como rotina
Entre os exemplos mais citados estão a endometriose, a adenomiose e os miomas uterinos. A endometriose afeta cerca de 7 milhões de brasileiras e ainda leva, em média, de 7 a 10 anos para ser diagnosticada. A adenomiose pode reduzir em até 43% a probabilidade de gravidez clínica e triplicar o risco de aborto espontâneo, segundo dados do Instituto GERA.
Os miomas uterinos acometem entre 70% e 80% das mulheres até os 50 anos, com sintomas mais severos e maior prevalência em mulheres negras, que também costumam buscar tratamento com atraso. Entre 30% e 50% das mulheres com endometriose enfrentam algum grau de infertilidade, conforme aponta a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
O que está por trás da demora
O texto destaca a chamada gender health data gap, a lacuna de dados de saúde por gênero, como uma das raízes do problema. Estudos clínicos realizados predominantemente com homens e depois aplicados às mulheres resultam em diagnósticos falhos, tratamentos inadequados e mais efeitos colaterais.
Um dado importante é que mulheres apresentam o dobro de reações adversas a medicamentos em comparação aos homens para mais de 86 fármacos aprovados pelo Food and Drug Administration (FDA), justamente porque muitos desses remédios foram testados em corpos que reagem de forma diferente.
Avanços existem, mas o acesso ainda é desigual
Apesar desse cenário, o artigo ressalta movimentos importantes, como a maior visibilidade das pautas de saúde feminina e o protagonismo de pesquisadoras. No Brasil, o Projeto de Lei 850/2025, que propõe atendimento integral à adenomiose no Sistema Único de Saúde (SUS), é citado como um avanço institucional.
Na área cirúrgica, a tecnologia robótica e a laparoscopia já permitem procedimentos mais precisos e menos invasivos. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica, entre 90% e 95% dos procedimentos ginecológicos poderiam ser realizados por essas vias. Ainda assim, a principal barreira permanece: acesso, escuta e credibilidade.
Ao final, a mensagem é clara: a medicina só avança verdadeiramente quando para de tratar a dor da mulher como exagero e passa a investigá-la com seriedade. Viver sem dor é um direito fundamental.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



