PUCPR inicia estudo com células-tronco para tratar DECH crônica
Ensaios clínicos aprovados pela Anvisa começam em 2026 para pacientes resistentes a corticosteroides
Um novo estudo brasileiro liderado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) promete avançar no tratamento da Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro (DECH) crônica, uma complicação grave que pode ocorrer após transplantes de medula óssea. A pesquisa, que acaba de receber aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), está programada para começar em setembro de 2026.
A DECH crônica ocorre quando as células do doador atacam o organismo do receptor, causando complicações severas com altas taxas de morbidade e mortalidade. Muitos pacientes desenvolvem resistência às terapias de primeira linha, e o acesso a tratamentos alternativos ainda é limitado no Sistema Único de Saúde (SUS).
O que será testado
O estudo clínico avaliará o MesenCell, um produto biológico composto por células-tronco mesenquimais (CTM) com propriedades imunomoduladoras, desenvolvido pelo Centro de Tecnologia Celular (CTC) da PUCPR. Trata-se do primeiro Produto de Terapia Avançada (PTA) do Brasil baseado em CTM para o tratamento da DECH crônica, com potencial para aplicação em outras doenças inflamatórias.
O protocolo prevê a administração de três doses do MesenCell em intervalos semanais, com acompanhamento clínico dos pacientes por até 12 meses após a primeira infusão. O ensaio envolverá 20 pacientes com DECH crônica resistente a corticosteroides, atendidos em três centros de referência: Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), Hospital Erasto Gaertner e Hospital Nossa Senhora das Graças.
Resultados anteriores
A equipe do CTC-PUCPR já possui experiência com um produto semelhante, também baseado em CTM, que apresentou uma taxa de resposta global de 80%, incluindo 50% de remissão completa. Os dados indicaram resposta completa em 100% das manifestações cutâneas, 75% dos casos com comprometimento gastrointestinal e 50% das manifestações na cavidade oral.
Além disso, 60% dos pacientes conseguiram reduzir ou suspender o uso de imunossupressores, e os casos graves de esclerodermia associada à DECH apresentaram recuperação funcional significativa.
Impactos esperados
Espera-se que o MesenCell contribua para a redução da inflamação sistêmica, diminuição da incidência de infecções e melhora significativa da qualidade de vida dos pacientes. Além dos benefícios clínicos, a terapia pode aliviar a sobrecarga do sistema hospitalar e do SUS, reduzindo a necessidade de internações prolongadas e tratamentos intensivos.
O estudo é financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), com R$ 5.623.522,00 destinados ao desenvolvimento do ensaio clínico em humanos, e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que aportou R$ 1.500.970,00 para os ensaios pré-clínicos em animais. A pesquisa é coordenada pela Dra. Carmen Kuniyoshi Rebel, do CTC-PUCPR.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



