Plano emergencial do ONS revela desafios na infraestrutura elétrica do Brasil

ABSOLAR destaca falta de armazenamento, flexibilidade e modernização no setor elétrico nacional

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, no domingo, 7 de junho de 2026, um plano emergencial para gerir excedentes na rede de distribuição de energia elétrica, evidenciando desafios estruturais na infraestrutura do setor elétrico brasileiro. Para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), essa medida reflete a necessidade urgente de modernização e adaptação do sistema às transformações da matriz energética.

De acordo com a ABSOLAR, a combinação de alta irradiação solar e baixa demanda, comum em feriados prolongados, é um cenário previsível e recorrente em países que avançaram na transição energética. No entanto, o Brasil ainda não implementou mecanismos adequados de flexibilidade e armazenamento para lidar com essa realidade.

Contexto e desafios do sistema elétrico

A ABSOLAR destaca que o Sistema Interligado Nacional (SIN) atingiu um ponto crítico. O crescimento da geração renovável — incluindo solar, eólica, hídrica a fio d’água, biomassa e biogás — não foi acompanhado por investimentos proporcionais em flexibilidade, armazenamento de energia e controle de carga.

Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR, ressalta que o desequilíbrio atual não decorre da expansão de uma única fonte, mas da ausência de políticas públicas estruturais que acompanhem essa evolução natural do setor.

Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, enfatiza que a diversificação da matriz elétrica é uma conquista estratégica do Brasil, contribuindo para a segurança do suprimento e redução dos riscos de apagão. Contudo, ela alerta que essa transição exige planejamento e infraestrutura compatíveis, áreas em que o país apresenta déficits preocupantes.

Principais gargalos identificados

A ABSOLAR aponta três obstáculos estruturais:

  • Tributação elevada: mais de 70% de carga tributária incide sobre sistemas de armazenamento de energia elétrica, tornando a tecnologia menos acessível e prejudicando sua adoção estratégica.
  • Demora nos leilões de reserva de capacidade: o Brasil ainda não realizou leilões específicos para contratação em larga escala de baterias, essenciais para gerenciar excedentes em períodos de baixa demanda.
  • Modernização lenta do setor: apesar de avanços como a Lei nº 15.269/2025 e o Marco Regulatório dos Sistemas de Armazenamento de Energia aprovado pela ANEEL em 2 de junho de 2026, o progresso ainda é insuficiente para posicionar o país na vanguarda tecnológica.

Propostas para o futuro

A ABSOLAR defende uma agenda coordenada entre Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e ONS, com participação ativa do setor privado, para:

  • Realizar leilões anuais de armazenamento de energia com escala robusta e previsibilidade;
  • Reduzir imediatamente a carga tributária sobre sistemas de armazenamento, seus componentes e peças, tornando a tecnologia mais acessível;
  • Desenvolver mecanismos técnicos e regulatórios para gestão dos excedentes de energia que respeitem os investimentos já realizados pela sociedade;
  • Aprimorar o reconhecimento de receitas para baterias, modernizar a tarifação e regulamentar o armazenamento também para consumidores residenciais e comerciais, atrás do medidor.

Fundada em 2013, a ABSOLAR reúne empresas e entidades da cadeia de valor da energia solar fotovoltaica, além de tecnologias associadas como armazenamento de energia e hidrogênio verde, atuando em prol da transição energética sustentável no Brasil.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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