Diesel sobe quase 30% e pressiona custos de frotistas brasileiros
Levantamento da Gestran aponta alta de 17,68% no primeiro quadrimestre e simula impacto financeiro em frota de 50 caminhões
O preço do diesel sofreu uma alta significativa nos primeiros meses de 2024, afetando diretamente o caixa dos frotistas brasileiros. Um levantamento realizado pela Gestran, sistema de gestão de frotas, mostra que o combustível acumulou um aumento de 28,99% em um período de 89 dias, antes de apresentar sinais de desaceleração. No fechamento do primeiro quadrimestre, o preço do diesel ainda estava 17,68% acima do patamar registrado antes da crise.
Fatores que impulsionaram a alta
Segundo o estudo, a escalada dos preços foi influenciada por uma combinação de fatores: a tensão geopolítica no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o reajuste de preços promovido pela Petrobras em meados de março e o aumento do custo do diesel importado, que representa entre 25% e 30% da demanda nacional.
O preço médio do diesel S10, que oferece melhor desempenho veicular, partiu de R$ 5,80 por litro em 12 de fevereiro, pouco antes do início dos ataques no Oriente Médio em 28 de fevereiro. A partir de 4 de março, iniciou-se uma fase de escalada, com o preço subindo de R$ 5,92 para R$ 7,30 em 17 dias, incluindo um aumento de 3,13% em um único dia, 7 de março.
Período de pico e correção
Entre 21 de março e 10 de abril, o preço do diesel manteve-se em um patamar elevado, acima de R$ 7,29 por 21 dias consecutivos, com média de R$ 7,36 e pico de R$ 7,42 registrado em 6 de abril. A partir de 11 de abril, iniciou-se uma fase de correção, com o preço recuando para R$ 6,83 em 11 de maio, ainda 17,68% acima do nível pré-crise.
Impacto financeiro para frotistas
Para dimensionar o impacto financeiro dessa volatilidade, a Gestran simulou uma frota representativa de 50 caminhões, cada um consumindo 6 mil litros de diesel por mês, totalizando 300 mil litros mensais. O custo mensal de abastecimento em fevereiro foi de R$ 1,740 milhão, enquanto em abril subiu para R$ 2,147 milhões, um aumento de R$ 407,1 mil em apenas dois meses.
Paulo Raymundi, CEO da Gestran, destaca que o aumento do preço do diesel reflete a pressão do petróleo Brent, que ultrapassou US$ 90 o barril em março, com picos próximos a US$ 110, o maior valor desde 2023. Além disso, o reajuste da Petrobras e o custo do diesel importado contribuíram para o repasse ao consumidor final.
O executivo ressalta que os dados da Gestran estão alinhados com indicadores nacionais de entidades como a Agência Nacional de Petróleo (ANP) e outras organizações do setor, confirmando a representatividade da amostra.
Em um segmento onde o combustível é uma das maiores despesas, a alta do diesel impacta diretamente a gestão financeira das operações de transporte, evidenciando a sensibilidade do setor às oscilações do mercado internacional e às políticas de preços nacionais.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



