Dia dos Namorados e padrões que o presente não resolve

Pesquisa aponta alta movimentação no comércio, mas terapeuta alerta para conflitos e repetições emocionais que continuam após a data.

O Dia dos Namorados de 2026 deve movimentar R$ 26,4 bilhões no comércio e serviços, com cerca de 100 milhões de brasileiros envolvidos nas compras, conforme pesquisa da CNDL e do SPC Brasil. Entre jantares, viagens e presentes caros, a data permanece como um momento importante no calendário comercial. No entanto, por trás dessa movimentação, há questões emocionais e relacionais que permanecem sem solução.

Quando o presente não resolve o que está por trás

Para a terapeuta sistêmica Cida Eliz, referência em Campo Mourão, o ato de presentear é um gesto significativo, mas não alcança as raízes dos conflitos que afetam os casais. Segundo ela, muitos dos problemas que destroem relacionamentos não surgem no casal, mas têm origem no sistema familiar de cada indivíduo.

“O presente é um gesto bonito. Mas ele não chega onde o problema mora. A maioria dos conflitos que destroem relacionamentos não começa no casal, começa no sistema familiar de onde cada um veio. E enquanto isso não for visto, o ciclo se repete independentemente de quantos jantares românticos aconteçam.”

A abordagem sistêmica destaca que padrões emocionais como medo de abandono, dificuldade de receber, compulsão por agradar e dificuldade em estabelecer limites são transmitidos de geração em geração, influenciando a dinâmica dos relacionamentos atuais.

O consumo como reflexo de tensões emocionais

A pesquisa também revela que 31% dos consumidores que planejam comprar presentes para o Dia dos Namorados o farão mesmo com contas em atraso, e 71% estão com o nome negativado. Além disso, 28% admitem gastar mais do que podem para agradar o parceiro.

Para Cida, esse comportamento pode ser interpretado como um sintoma emocional: “Quando uma pessoa endivida para presentear, não está apenas comprando um presente, está tentando compensar algo que não consegue dar de outra forma. Afeto, presença, segurança. E isso tem raiz no sistema familiar, não no cartão de crédito.”

Outro dado relevante é a queda no percentual de pessoas que afirmam estar namorando, que passou de 55% em 2024 para 42% em 2026, segundo pesquisa da Fecomércio. Para a terapeuta, isso reflete relacionamentos que não suportam o peso emocional que carregam.

“As pessoas estão saindo dos relacionamentos mais rápido porque não sabem identificar o que está quebrando a relação por dentro. Trocam o parceiro, mas levam o padrão. E o padrão sempre encontra uma nova forma de se repetir.”

Repensando o Dia dos Namorados

Mais do que uma data comercial, o Dia dos Namorados pode ser uma oportunidade para casais que desejam iniciar uma conversa verdadeira sobre suas histórias, expectativas e padrões emocionais. Segundo Cida Eliz, um amor duradouro se constrói com a disposição de olhar para o que cada um carrega e escolher conscientemente o que deixar para trás.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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