Terapias para autismo: quando a intensidade vira sobrecarga

Com mais diagnósticos de TEA, especialistas defendem intervenções personalizadas e alertam para os riscos de rotinas terapêuticas excessivas.

Com o crescimento dos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA), a busca por terapias especializadas tem aumentado significativamente, trazendo à tona um debate crucial sobre a qualidade e a personalização do cuidado. Especialistas ressaltam que a eficácia das intervenções não está necessariamente ligada à quantidade de horas dedicadas, mas sim à adequação das terapias às necessidades específicas de cada criança e ao contexto familiar.

Quando a terapia se torna uma rotina exaustiva

O aumento da demanda tem levado muitas famílias a enfrentarem agendas intensas, com múltiplas sessões, deslocamentos frequentes e metas rígidas, criando uma rotina que pode ser desgastante, especialmente para mães e cuidadoras, que geralmente assumem a maior parte do acompanhamento. Essa sobrecarga pode gerar impactos emocionais e físicos, além de comprometer aspectos fundamentais da infância, como o brincar e a socialização.

Além disso, episódios recentes sob investigação no setor reforçam a necessidade de práticas terapêuticas transparentes, éticas e baseadas em evidências, evitando que o volume de sessões se sobreponha à qualidade do atendimento.

Diretrizes e recomendações atuais

Conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, a definição da carga horária e da frequência das intervenções deve ser feita por meio de avaliação clínica individualizada, considerando o perfil da criança e o ambiente familiar, e não por protocolos rígidos. A psicóloga Thalita Possmoser, vice-presidente clínica da rede Genial Care, destaca que “a intensidade da terapia pode ser um recurso importante, mas precisa estar alinhada às necessidades reais de cada criança. Quando a lógica se desloca para o volume, há risco de perda de qualidade e de decisões menos precisas do ponto de vista clínico”.

Pressão sobre as famílias

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, no Censo 2022, 2,4 milhões de brasileiros declararam ter diagnóstico de TEA, representando cerca de 1,2% da população. Entre crianças de até 9 anos, a estimativa é de uma a cada 43. Esse cenário evidencia a crescente pressão sobre o sistema de saúde e sobre as famílias.

Segundo a pesquisa “Retratos do Autismo no Brasil”, realizada pela Genial Care em parceria com a Tismoo.me, a maioria dos cuidadores de crianças autistas são mães, muitas das quais relatam não dispor de tempo para descanso ou autocuidado. Assim, o equilíbrio familiar torna-se um componente essencial para o sucesso das intervenções.

Construindo intervenções seguras e sustentáveis

Especialistas recomendam que as intervenções sejam planejadas com base em avaliações individualizadas da carga horária, metas claras e revisões periódicas, além de uma parceria ativa com a família, respeitando seus limites e capacidades. É fundamental garantir que a vida da criança inclua momentos de lazer, brincadeiras, convívio social e participação escolar.

Thalita Possmoser reforça: “Não existe uma receita única. Uma intervenção eficaz depende da qualidade, da personalização e da articulação com o contexto familiar. A sobrecarga não deve ser naturalizada. O desafio é construir modelos que sustentem o desenvolvimento da criança sem comprometer o equilíbrio da família”.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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