IA brasileira identifica câncer em exames de rotina
Três estudos na ASCO 2026 mostram uso de dados de check-ups para rastreamento de pulmão, próstata e mama
Exames de rotina comuns podem ganhar um novo papel no combate ao câncer. Três estudos brasileiros apresentados no ASCO Annual Meeting 2026, em Chicago, revelam que a inteligência artificial (IA) pode usar dados já existentes nos sistemas de saúde para identificar riscos de câncer de pulmão, próstata e mama.
Essas pesquisas destacam que não é preciso realizar novos exames nem alterar a infraestrutura assistencial para ampliar a detecção precoce. A tecnologia transforma informações rotineiras em uma triagem inteligente, capaz de indicar rapidamente quem deve passar por investigações mais detalhadas.
Principais achados dos estudos
Os trabalhos, desenvolvidos pela startup brasileira Huna em parceria com o Grupo Fleury e o Hospital de Amor, analisaram dados de mais de 56 mil brasileiros e aplicaram a IA em diferentes tipos de câncer:
- Câncer de pulmão: com dados de 53.093 pessoas, o modelo utilizou apenas variáveis do hemograma, alcançando uma área sob a curva (AUC) de 0,71. A ferramenta poderia identificar 67,6% dos casos ao focar o rastreamento em 34,4% da população, dobrando a concentração de casos na população priorizada.
- Câncer de próstata: o estudo incluiu 2.978 homens entre 45 e 75 anos, combinando PSA total, PSA livre, densidade do PSA por ultrassonografia e idade. O modelo atingiu AUC de 0,77 e valor preditivo negativo de 0,98, com potencial para reduzir em 35,1% os falsos positivos, diminuindo exames invasivos desnecessários.
- Câncer de mama: em uma coorte de 236 mulheres, a combinação de cinco exames laboratoriais comuns em check-ups (CA 15-3, CEA, FSH, T3 e MCHC) resultou em AUC de 0,72, desempenho superior ao hemograma isolado, ampliando a capacidade de identificar mulheres com maior risco.
Impacto e perspectivas
Na prática, a IA pode priorizar quem deve avançar para exames mais específicos, otimizando recursos e evitando procedimentos desnecessários. Isso é especialmente relevante para cânceres em que o diagnóstico precoce é crucial para o sucesso do tratamento.
Daniella Castro, fundadora da Huna e PhD em Inteligência Artificial, destaca: “O câncer deixa pistas. O desafio é encontrá-las a tempo. Estamos mostrando que dados já presentes na rotina dos sistemas de saúde podem ser transformados em ferramentas capazes de identificar riscos mais cedo e tornar o diagnóstico precoce mais acessível e escalável.”
Esses estudos reforçam a tendência de integrar ciência, inovação e saúde pública, usando inteligência artificial para tornar o cuidado mais preciso, antecipado e eficiente.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



