Violência contra mulher é vista como o crime mais grave no Brasil

Pesquisa inédita revela que 61% da população considera a violência contra a mulher a forma de criminalidade mais grave, com destaque para a percepção das jovens

Violência contra mulher é considerada o crime mais grave no Brasil

Uma pesquisa recente do Datafolha, encomendada pelo Movimento Mulher 360, revelou que, pela primeira vez, a violência contra a mulher é vista como a forma de criminalidade mais grave no país. Realizado em abril de 2026 com 2.004 pessoas acima de 16 anos, o levantamento apontou que 61% dos entrevistados consideram essa violência o problema mais sério, superando temas como tráfico de drogas (16%) e assaltos à mão armada (10%).

Entre as mulheres, a percepção é ainda mais intensa: 73% delas veem a violência de gênero como a maior ameaça, índice que sobe para 77% entre as jovens de 16 a 24 anos. Além disso, 89% da população acredita que os casos de violência contra a mulher aumentaram no último ano, e 71% consideram que o maior perigo está dentro de casa.

Violência psicológica e controle ainda são pouco reconhecidos

Apesar do reconhecimento da violência física, a pesquisa mostra que formas menos visíveis, como a violência psicológica e o controle coercitivo, ainda são amplamente negligenciadas. Por exemplo, 45% dos entrevistados não consideram violência o fato de um homem impedir uma mulher de sair para uma comemoração, e 42% não veem como violência o controle do salário da esposa pelo marido. Essa falta de reconhecimento dificulta a prevenção e o rompimento do ciclo abusivo.

Relatos das vítimas evidenciam a gravidade da situação

O levantamento incluiu um módulo de autopreenchimento respondido por 875 mulheres, que revelou que cada vítima já passou por uma média de três situações de violência de gênero. Três em cada quatro mulheres (74%) relataram ter vivido alguma forma de violência, sendo insultos e xingamentos os mais comuns (59%), seguidos por ameaças físicas (45%) e perseguição ou intimidação (43%). Violência sexual foi relatada por 38% das entrevistadas, enquanto 25% já sofreram agressões físicas graves, como espancamento ou tentativa de enforcamento.

Culpabilização das vítimas e baixa confiança nas instituições

Um dado preocupante é que 61% dos entrevistados concordam que muitos casos de violência contra a mulher são consequência de escolhas erradas das vítimas ao escolher seus parceiros, reforçando a culpabilização das mulheres. Essa visão contribui para o silêncio e a permanência em relações abusivas. Além disso, apenas 19% das mulheres confiam muito na polícia para protegê-las, percentual que sobe para 31% entre os homens. Enquanto 55% dos homens consideram as leis de proteção eficientes, o mesmo percentual de mulheres demonstra desconfiança quanto à efetividade dessas leis.

Necessidade de atuação coletiva para transformação

O Movimento Mulher 360 destaca que a violência contra a mulher deixou de ser vista como um tema privado ou exclusivamente feminino, tornando-se uma questão central de segurança pública e social. Para transformar esse cenário, é fundamental a atuação conjunta da sociedade, empresas e poder público, com foco na conscientização e no comprometimento coletivo.

Reconhecer todas as formas de violência é essencial para que as mulheres possam buscar ajuda antes que o abuso se agrave. A pesquisa reforça a urgência de políticas públicas eficazes e maior engajamento da sociedade para promover a equidade de gênero e garantir proteção efetiva às vítimas.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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