Implantes hormonais: o que você precisa saber antes de usar
Entenda os riscos, a dificuldade de reversão e a importância do acompanhamento médico
Os implantes hormonais, chamados pellets, têm ganhado popularidade como solução para menopausa, melhora da libido, estética e emagrecimento. No entanto, a dificuldade de interromper seus efeitos em caso de complicações é pouco discutida. Relatos recentes de problemas graves, como trombose e lesão renal, reacenderam o debate sobre a segurança dessas terapias.
Esses pequenos cilindros são inseridos sob a pele e liberam hormônios como testosterona, estradiol e gestrinona por períodos que podem chegar a nove meses. Diferentemente de cremes, adesivos ou comprimidos, que podem ser suspensos imediatamente, os implantes continuam atuando no corpo por meses, dificultando a reversão rápida em caso de efeitos adversos.
O endocrinologista Ramon Marcelino, do Hospital das Clínicas da USP, destaca que o problema não está na via de administração em si, mas no uso cada vez mais disseminado e, muitas vezes, fora das indicações médicas tradicionais. Segundo ele, “o que saiu do controle foi o abuso da ferramenta”. Marcelino reforça que os implantes podem ser úteis em casos específicos, com doses adequadas e acompanhamento rigoroso, mas alerta para a banalização do método.
Por que a reversão é tão difícil?
Nos implantes absorvíveis, não há como retirar o hormônio imediatamente. Nos inabsorvíveis, mesmo com remoção cirúrgica, parte do hormônio já foi liberada no organismo. Isso significa que, em caso de complicações, o tratamento não pode ser simplesmente interrompido, e o manejo clínico precisa focar em controlar os sintomas até que o efeito hormonal diminua naturalmente.
Especialistas recomendam priorizar terapias reversíveis, como géis e adesivos, especialmente para mulheres que nunca fizeram reposição hormonal. Essas opções permitem ajuste fino da dose e interrupção rápida, oferecendo mais segurança.
De tratamento médico a tendência estética
Embora os implantes hormonais existam desde a década de 1940, seu uso era restrito a tratamentos específicos, como sintomas da menopausa ou hipogonadismo masculino. Nos Estados Unidos, pellets de testosterona foram aprovados pelo FDA em 1972 para hipogonadismo masculino. No Reino Unido, os implantes de estradiol são indicados apenas em situações excepcionais, como falha em outras terapias.
No Brasil, porém, o uso dos pellets tem crescido rapidamente, muitas vezes associado a promessas estéticas, aumento da libido e antienvelhecimento, sem respaldo científico sólido. Marcelino alerta para o uso frequente de doses suprafisiológicas e combinações pouco estudadas, além da falta de consentimento informado em muitos casos.
O que considerar antes de optar pelo implante hormonal
– Avaliar alternativas reversíveis antes de escolher um implante.
– Buscar acompanhamento médico especializado e transparente.
– Entender que o implante é um compromisso de longo prazo, com efeitos que podem durar meses.
– Questionar se o uso está baseado em indicação clínica ou apenas em tendências estéticas.
A ciência continua estudando os implantes hormonais para entender melhor sua segurança e eficácia. Enquanto isso, cuidado e informação são essenciais para evitar riscos desnecessários.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



