Exploração sexual infantil migra para ambiente digital

Aliciamento e exploração sexual de crianças e adolescentes ocorrem em redes sociais, jogos e aplicativos, segundo estudo do UNICEF

A exploração sexual infantil tem se deslocado para o ambiente digital, ocorrendo principalmente dentro de casa, por meio de celulares, jogos online e redes sociais. Segundo um relatório do UNICEF em parceria com a ECPAT International e a Interpol, uma em cada cinco crianças e adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos sofreu algum tipo de violência sexual facilitada pela tecnologia em apenas um ano, o que representa cerca de três milhões de vítimas no país. Redes sociais, plataformas de mensagens, chats e jogos online, como o Roblox, são os principais ambientes utilizados por criminosos para aliciamento, manipulação emocional e compartilhamento de conteúdos de exploração sexual.

A psiquiatra Danielle Admoni, especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e supervisora na residência de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM), explica que muitos abusadores não precisam mais do contato físico para agir. Eles constroem vínculos emocionais pela internet, ganhando a confiança das crianças ao explorar carência afetiva, solidão e necessidade de pertencimento. Esse processo gradual de aliciamento, conhecido como “grooming”, envolve criminosos que fingem ter idade próxima à da vítima e compartilham problemas semelhantes para criar uma relação de confiança. Eles oferecem acolhimento, atenção e presentes digitais, como moedas virtuais, e passam a solicitar fotos, vídeos íntimos, dados financeiros dos pais e até encontros presenciais.

O problema é que muitas famílias não percebem essa abordagem. “Muitos responsáveis monitoram apenas o tempo de tela, mas deixam de observar o conteúdo consumido e as relações que crianças e adolescentes constroem online”, alerta Danielle Admoni. Entre os sinais de alerta estão mudanças bruscas de comportamento, isolamento repentino, uso excessivo e secreto do celular, ansiedade após mensagens, medo de mostrar conversas, presentes inexplicáveis em jogos, sexualização precoce e contato frequente com desconhecidos.

Outro dado preocupante é o silêncio das vítimas: 34% das crianças e adolescentes que sofreram violência sexual facilitada pela tecnologia não contaram o ocorrido para ninguém, segundo o levantamento do UNICEF. Além dos impactos imediatos, especialistas destacam consequências emocionais de longo prazo, como ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático, dificuldades de relacionamento e risco aumentado de automutilação e ideação suicida.

A SaferNet Brasil também registra crescimento nas denúncias relacionadas à exploração sexual infantil online, com 64% das denúncias em 2025 envolvendo abuso e exploração sexual na internet.

Para combater o problema, a psiquiatra Danielle Admoni recomenda que o foco seja a construção de diálogo e confiança, para que a criança se sinta segura para pedir ajuda sem medo de punição ou julgamento. Medidas importantes para aumentar a proteção incluem conversar regularmente sobre segurança digital, ensinar que segredos online não devem existir, acompanhar os jogos, aplicativos e redes sociais utilizados, orientar sobre o envio de fotos e dados pessoais, e criar um ambiente seguro para que a criança relate situações desconfortáveis.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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