Ansiedade e depressão podem impactar a imunidade e agravar quadros virais

Saúde mental influencia a resposta imunológica e pode aumentar a vulnerabilidade a infecções virais, alerta especialista

Com a chegada das estações mais frias, aumenta a incidência de doenças respiratórias no Brasil, como gripes e outras infecções virais. Além dos fatores tradicionais, como clima e circulação viral, a saúde mental tem ganhado atenção como um elemento que pode impactar diretamente o sistema imunológico e agravar quadros virais.

Pesquisas na área da psiconeuroimunologia, que estuda a interação entre mente, sistema nervoso e imunidade, indicam que o cérebro e o sistema imunológico mantêm uma comunicação constante e bidirecional. Condições como estresse crônico, ansiedade e depressão podem alterar essa dinâmica, influenciando a liberação de hormônios e mediadores inflamatórios, o que pode reduzir a eficiência da resposta imunológica.

O psiquiatra Ricardo Sbalqueiro, da ViV Saúde Mental e Emocional, explica que quadros de estresse e ansiedade elevam a produção de cortisol, um hormônio que, em excesso, pode suprimir a resposta do sistema imunológico. “Uma pessoa com ansiedade ou depressão não necessariamente vai adoecer, mas pode ter o organismo mais suscetível e uma recuperação mais lenta”, afirma.

Esse impacto ocorre por múltiplos mecanismos fisiológicos. Alterações na produção e funcionamento das células de defesa podem comprometer a resposta do organismo a vírus, enquanto quadros depressivos estão associados a um estado de inflamação crônica de baixo grau. Além disso, o estresse prolongado desregula hormônios, especialmente o cortisol.

Mudanças comportamentais comuns nesses quadros, como piora do sono, alimentação inadequada e menor adesão a cuidados de saúde, reforçam esse ciclo, ampliando a vulnerabilidade do organismo.

O tema ganha ainda mais relevância diante do cenário atual. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo, sendo ansiedade e depressão os mais comuns. No Brasil, em 2024, foi registrado o maior número de afastamentos por transtornos mentais em uma década, refletindo a sobrecarga emocional da população.

Para Sbalqueiro, é fundamental integrar a saúde mental e física no cuidado à saúde. “Ainda existe uma tendência de separar saúde mental e física, mas isso não se sustenta do ponto de vista biológico. O organismo responde como um todo”, destaca.

O especialista reforça que sinais persistentes de ansiedade, estresse ou desânimo não devem ser ignorados, especialmente em períodos de maior circulação de vírus. Intervenções como psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico e mudanças no estilo de vida têm impacto direto no bem-estar geral e na capacidade de resposta do corpo.

Assim, a prevenção de doenças virais deve incluir não apenas medidas físicas, como vacinação e higiene, mas também o cuidado emocional. “A saúde mental não é um aspecto isolado. Ela influencia diretamente como o corpo reage a agentes externos. Olhar para isso é ampliar o conceito de prevenção”, conclui o médico.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

👁️ 69 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar