Maternidade atípica exige apoio e cuidado emocional para mães de crianças com TEA
Mães enfrentam sobrecarga emocional e desafios diários na rotina com filhos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista
A maternidade atípica, vivida por mães de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), traz desafios que vão além do diagnóstico. Essas mulheres enfrentam uma rotina intensa, marcada por terapias, consultas médicas, adaptações escolares e situações de preconceito, muitas vezes sem uma rede de apoio suficiente.
Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, o Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas com TEA, sendo a maior prevalência entre crianças de 5 a 9 anos, o que evidencia a relevância do tema para muitas famílias.
Isabella Roque, psicóloga especialista em neurodesenvolvimento da Casa Trilá, destaca a sobrecarga emocional enfrentada por essas mães. “Existe uma sobrecarga emocional muito significativa porque, em muitos casos, essa mãe passa a viver em estado permanente de alerta. Ela precisa administrar as demandas da criança, lidar com inseguranças sobre o futuro, enfrentar barreiras sociais e, ao mesmo tempo, continuar funcionando em outras áreas da vida”, explica.
Raquel, mãe de Thomas, uma criança com TEA, relata que a maternidade atípica exige adaptações constantes. “Cada dia é um dia diferente, um dia único. A gente vai aprendendo, errando e acertando”, conta. Ela destaca que as dificuldades sensoriais do filho em ambientes públicos e as mudanças de rotina são grandes desafios. Além disso, a falta de compreensão e aceitação social gera situações difíceis, pois o comportamento da criança muitas vezes é mal interpretado.
A psicóloga Isabella ressalta que a tendência de as mães assumirem sozinhas a maior parte dos cuidados pode levar ao esgotamento físico e emocional, além do isolamento social. Muitas mulheres deixam de cuidar da própria saúde mental por sentirem culpa ao priorizar a si mesmas. Raquel confirma essa realidade ao afirmar que, sem uma rede de apoio, ela e o esposo precisam abrir mão de momentos de lazer para dar conta da rotina.
Outro aspecto importante é o capacitismo, que se manifesta em julgamentos e falta de preparo dos espaços públicos para acolher crianças neurodivergentes. “Os comportamentos da criança são interpretados como falta de limite ou má educação, quando na verdade estão relacionados a questões sensoriais, dificuldades de comunicação ou sobrecarga emocional”, explica Isabella. Raquel reforça a necessidade de inclusão verdadeira, com mais informação e empatia.
Especialistas alertam para a importância de cuidar da saúde emocional das mães como parte do processo terapêutico. Dividir responsabilidades, buscar acompanhamento psicológico e construir redes de suporte são medidas essenciais para preservar o bem-estar familiar. “A mãe não precisa dar conta de tudo sozinha. O cuidado compartilhado é fundamental para que essa família consiga sustentar uma rotina mais saudável a longo prazo”, afirma Isabella.
Para Raquel, apesar dos desafios, a maternidade atípica trouxe transformações profundas. “Eu me redescobri através do meu filho. Aprendi muito sobre ele, sobre mim e sobre a vida.” Essa experiência reforça a importância do acolhimento e do suporte para mães que vivem essa realidade.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



