Da ferramenta ao agente: desafios da IA agêntica no ensino superior

Como a inteligência artificial autônoma transforma papéis e gestão nas universidades

Em março de 2026, o Canvas lançou um agente de ensino integrado à sua plataforma, dando continuidade a um movimento que já vinha transformando o ensino superior. A questão atual não é tecnológica, mas de liderança: como gerir equipes, cultura e processos em um ambiente onde a inteligência artificial deixou de ser ferramenta de apoio para atuar como agente ativo nas instituições?

A diferença que importa
A IA generativa, presente nas universidades desde 2023, responde a perguntas. A IA agêntica, por sua vez, age autonomamente, recebendo objetivos e executando etapas. O Gartner projeta que até 2028, um terço dos aplicativos empresariais terá agentes embutidos. Nas universidades, isso já ocorre, com exemplos como plataformas no Tennessee, tutores agênticos em Toronto e parcerias da Northeastern com a Anthropic. No Brasil, o IEEE indicou que a massificação da IA agêntica trará desafios em educação, infraestrutura e governança. A questão deixou de ser “se” vai acontecer para “como” liderar nesse novo cenário.

O que muda para quem lidera pessoas
Quando agentes monitoram desempenho, respondem dúvidas e apoiam a orientação acadêmica, o papel docente muda de natureza, mas não de importância. O julgamento pedagógico, a relação humana e o desenvolvimento do pensamento crítico tornam-se ainda mais centrais. Para gestores, isso implica reconfigurar atribuições, desenvolver novas competências e criar uma cultura em que professores sejam parceiros da tecnologia. Pesquisa da EDUCAUSE mostrou que, em 2025, 57% das instituições já tratavam IA como prioridade estratégica, mas prioridade sem agenda de pessoas resulta em investimento em tecnologia pouco aproveitado.

O fator que a tecnologia não resolve
Em 2025, a USP criou o GPGAIA, grupo de pesquisa em governança de agentes de IA, com foco em estruturar regras e responsabilidades para sistemas autônomos. Sem formação e engajamento paralelos, a adoção tende a ser fragmentada e de baixo impacto. No Brasil, 84% dos alunos e 79% dos professores já usaram IA, mas adesão não equivale a capacidade. Capacidade institucional se constrói com pessoas, não apenas com licenças de software.

Novos papéis que ainda não existem
Estudos recentes indicam que o papel do professor evolui de adotante tecnológico a mediador ético e agora designer de ambientes de aprendizagem com agentes. Isso exige formação específica e novas funções administrativas, como profissionais para monitorar agentes, integrar dados e liderar governança. A demanda já se reflete no crescimento de 128% nos cursos de pós-graduação em IA entre 2024 e 2025.

Por onde começar
As instituições que avançam melhor são as que fazem primeiro as perguntas relacionadas às pessoas: a equipe docente tem competências para trabalhar com agentes? Como comunicar a adoção para que professores sejam protagonistas? Que funções precisam ser criadas para governar os sistemas? Como garantir que a experiência humana permaneça no centro? A IA agêntica já está presente nas universidades. O que define o resultado não é o sistema contratado, mas se as pessoas souberam o que fazer com ele ao chegar.

Por Leonardo Ribeiro, diretor da ZRG Partners Brasil

L

Por Leonardo Ribeiro

diretor da ZRG Partners Brasil

Artigo de opinião

👁️ 74 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar