Adolescência do bebê: mitos e verdades sobre birras e emoções
Entenda a fase entre 18 e 36 meses marcada por birras e desenvolvimento cerebral
Entre os 18 e 36 meses, muitos bebês enfrentam uma fase popularmente chamada de “adolescência do bebê”, caracterizada por birras intensas, crises emocionais e sono fragmentado. Segundo o neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil Dr. André Ceballos, essa etapa não é resultado de erro dos pais, mas de processos neurológicos naturais.
Pesquisas indicam que cerca de 87% das crianças entre 18 e 24 meses apresentam episódios de birra, número que sobe para 91% entre 30 e 36 meses. Essa fase ocorre quando a criança começa a desenvolver consciência de si mesma e de seus desejos, mas ainda não possui maturidade cerebral para lidar com a frustração. A amígdala, área do cérebro responsável pelas emoções, está hiperativa, enquanto o córtex pré-frontal, que controla impulsos e regula emoções, ainda está em formação.
Dr. Ceballos esclarece cinco mitos comuns sobre essa fase:
1. Birra não é falta de limite nem resultado de criação permissiva. É uma resposta neurológica, pois a criança não tem maturidade para regular emoções intensas. Responder com firmeza e afeto ajuda no desenvolvimento emocional.
2. Ceder à birra não significa reforçar o comportamento. É importante diferenciar ceder ao pedido da birra e acolher a emoção por trás dela, oferecendo presença e regulação emocional.
3. A busca por atenção não é manipulação, mas um comportamento biológico que ativa o sistema de apego. Ignorar essa necessidade pode prejudicar o desenvolvimento emocional.
4. Conversas longas durante a birra são ineficazes, pois o córtex pré-frontal da criança está temporariamente inacessível para argumentos lógicos. O que funciona é presença calma, contato físico seguro e frases curtas.
5. A fase não passa sozinha sem influência dos pais. A responsividade parental está associada ao desenvolvimento do lobo frontal e às habilidades de autorregulação da criança.
Para ajudar durante essa fase, o especialista recomenda que os pais mantenham a calma, pois a co-regulação emocional começa no adulto. Nomear os sentimentos da criança, como dizer “você está com raiva porque não pode ficar mais tempo no parque”, ajuda o cérebro infantil a organizar as emoções. O contato físico, como colo e proximidade, ativa sensação de segurança e calma. Além disso, preservar a rotina de sono, alimentação e horários contribui para o equilíbrio emocional.
O Dr. Ceballos alerta que birras longas, comportamentos autolesivos, ausência de comunicação esperada e regressão em habilidades devem ser avaliados por profissionais. Ele reforça que não existe pai ou mãe perfeito, mas a presença e o cuidado são fundamentais para o desenvolvimento saudável do cérebro infantil.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



