Profissionais da estética no Brasil recusam procedimentos por excesso
Crescimento de 2,3 milhões de procedimentos anuais leva à busca por naturalidade e responsabilidade
O Brasil está entre os três países que mais realizam procedimentos estéticos no mundo, com cerca de 2,3 milhões de intervenções anuais, incluindo cirurgias e técnicas minimamente invasivas, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). O crescimento é impulsionado principalmente por procedimentos não cirúrgicos, como aplicação de toxina botulínica, preenchimentos faciais e bioestimuladores de colágeno, que tiveram aumento superior a 20% globalmente nos últimos anos.
No país, a popularização desses tratamentos acompanha a maior oferta de serviços e a influência das redes sociais, que difundem padrões estéticos muitas vezes irreais. Esse cenário tem gerado aumento da insatisfação com a própria imagem, fenômeno associado ao uso frequente de filtros digitais, conhecido como “dismorfia digital”.
Diante desse contexto, cresce um movimento entre profissionais da estética que optam por recusar procedimentos quando percebem excessos ou expectativas distantes da realidade. A biomédica esteta Ana Carolina Martin, que atua na área desde 2018, destaca que muitos pacientes chegam com referências baseadas em imagens filtradas ou resultados exagerados que não respeitam a individualidade. “Nem tudo que a paciente pede deve ser feito”, afirma.
Ana Martin ressalta que a estética pode melhorar a autoestima, mas o excesso pode levar à perda da identidade da pessoa. Ela explica que seu trabalho vai além da aplicação de técnicas, envolvendo escuta ativa para entender as inseguranças e o contexto de vida das pacientes. Muitas vezes, o que elas precisam não é de mais procedimentos, mas de atenção e cuidado.
Dados da consultoria Grand View Research indicam que o mercado global de estética deve ultrapassar US$ 200 bilhões até 2030, com crescimento contínuo puxado por procedimentos minimamente invasivos. No Brasil, o aumento da concorrência ampliou o número de clínicas e profissionais, o que exige uma postura mais responsável.
A busca por resultados mais sutis e personalizados, que valorizem a naturalidade, tem ganhado espaço entre o público. “Hoje, existe um movimento de volta à naturalidade. As pessoas querem se sentir melhores, mas sem deixar de ser quem são. Quando a paciente se olha no espelho e se reconhece, esse é o melhor resultado possível”, conclui Ana Martin.
O desafio para o futuro da estética no Brasil será equilibrar o crescimento do setor com uma atuação consciente, que preserve não apenas a aparência, mas também a relação das pacientes com a própria imagem.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



