Pesquisadores alertam para riscos sanitários e extinção do jumento nordestino
Carta pública destaca zoonoses, metais pesados e trabalho infantil no comércio de pele de jumentos
Pesquisadores brasileiros e internacionais emitiram um alerta sobre os riscos sanitários, ambientais e sociais relacionados ao comércio de pele de jumentos no Brasil, prática associada à produção de ejiao na China. A preocupação foi oficializada na “Declaração de Salvador”, documento divulgado durante o IV Workshop Internacional Jumentos do Brasil: Futuro Sustentável, realizado na Assembleia Legislativa da Bahia.
O documento reúne especialistas de instituições como USP, UFBA, UFPR e UFAL, que destacam a falta de rastreabilidade dos animais como fator que aumenta o risco de disseminação de zoonoses, doenças que podem ser transmitidas entre animais e humanos. Além disso, há alerta para a possível presença de metais pesados nos tecidos e produtos derivados da pele dos jumentos, contaminantes que podem representar riscos à saúde.
Segundo o médico veterinário José Roberto Lima, da UFBA, estudos científicos internacionais indicam que peles e músculos de equídeos podem acumular metais pesados, o que reforça a necessidade de maior vigilância sanitária e do fim do abate desses animais no país.
Outro ponto crítico apontado na declaração são as fragilidades regulatórias que envolvem o comércio internacional da pele de jumentos. O documento cita denúncias de trabalho infantil e condições análogas à escravidão vinculadas ao abate, além do aumento de crimes ambientais relacionados à atividade.
A situação é agravada pela drástica redução da população de jumentos nordestinos, que caiu 94% entre 1996 e 2025, conforme cruzamento de dados do MAPA, IBGE e Agrostat. Essa diminuição é atribuída principalmente ao abate para exportação da pele destinada à China.
Os pesquisadores defendem a aprovação do Projeto de Lei 2387/2022, que prevê a proibição definitiva do abate de jumentos no Brasil. Eles também destacam alternativas biotecnológicas desenvolvidas por universidades brasileiras, como a produção de colágeno por fermentação de precisão, que podem substituir o uso da pele animal na fabricação de ejiao.
Patricia Tatemoto, PhD em Ciências pela USP e coordenadora de campanhas da The Donkey Sanctuary nas Américas, ressalta que proteger o jumento nordestino é fundamental para a preservação da biodiversidade, da saúde pública e do patrimônio genético do semiárido brasileiro.
Além da proibição do abate, o documento final do workshop recomenda a implementação de políticas públicas para a conservação do jumento nordestino, reconhecido como patrimônio histórico, cultural, genético e sociobiológico da região.
A decisão judicial de abril de 2026 que proibiu o abate de jumentos na Bahia e a comercialização desses animais foi apoiada integralmente pelos especialistas, que veem nela um passo importante para a proteção da espécie e para a segurança sanitária da população.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



