Crescimento dos diagnósticos de autismo desafia precisão clínica no Brasil

Debate sobre ampliação do espectro autista destaca necessidade de tratamentos personalizados e desafios para famílias e saúde pública

O Brasil registra 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo dados inéditos do Censo 2022 do IBGE. Esse crescimento nos diagnósticos tem impulsionado um debate sobre a precisão clínica do espectro autista e os desafios para o tratamento individualizado.

A psicóloga britânica Uta Frith, referência mundial em autismo, afirmou que o conceito ampliado do espectro pode estar além do que é clinicamente útil. Ela alertou que agrupar perfis cognitivos e biológicos muito diferentes sob o mesmo diagnóstico dificulta a interpretação dos resultados de pesquisas e prejudica a definição de intervenções clínicas eficazes.

No Brasil, essa questão ganha relevância diante das dificuldades enfrentadas pelas famílias para acessar tratamentos contínuos e estruturados. Um estudo da Genial Care aponta que 79% das famílias relatam problemas financeiros para custear terapias focadas no TEA. Além disso, dados do Procon SP indicam que 19,6% dos usuários de planos de saúde já enfrentaram dificuldades nas relações de consumo com operadoras.

Thalita Possmoser, vice-presidente clínica da Genial Care, destaca que o principal desafio está na falta de clareza sobre os objetivos terapêuticos. “Durante muito tempo, o setor se organizou em torno da quantidade de horas de terapia. Mas a pergunta mais importante não é ‘quantas horas’, e sim ‘quais habilidades estamos desenvolvendo e como medimos esse avanço’”, explica. Ela alerta que o excesso de horas pode impactar negativamente a rotina familiar sem garantir o desenvolvimento esperado.

Para melhorar os resultados, a especialista defende planos de acompanhamento que considerem o perfil cognitivo, sensorial e comportamental de cada criança. Abordagens baseadas em atividades lúdicas são usadas para desenvolver comunicação, interação social e autonomia, respeitando o ritmo e interesses individuais.

Além disso, o uso de tecnologia permite que as famílias acompanhem o progresso terapêutico, reduzindo a sensação de incerteza no processo.

O debate sugere uma mudança de paradigma: sair de modelos padronizados para adotar estratégias que combinem precisão diagnóstica, acompanhamento contínuo e intervenções adaptadas à realidade de cada criança. Essa individualização pode ser fundamental para garantir resultados concretos tanto na prática clínica quanto nas pesquisas sobre o autismo.

Assim, o crescimento dos diagnósticos de TEA no Brasil amplia a demanda por serviços e reforça a necessidade de repensar o conceito de espectro autista para promover um cuidado mais eficaz e humanizado.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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