Práticas restaurativas reduzem violência em escolas de Curitiba

Projeto da PUCPR usa diálogo para resolver conflitos e apoiar jovens vulneráveis no ensino médio da periferia

Nos últimos dez anos, o número de vítimas de violência escolar no Brasil aumentou 254%, passando de 3,7 mil em 2013 para 13,1 mil em 2023, segundo dados do Ministério de Direitos Humanos e Cidadania. Para enfrentar esse problema, o projeto “Pesquisa-Ação nas Escolas de Curitiba”, conduzido pelo Núcleo de Direitos Humanos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), tem aplicado práticas restaurativas em escolas públicas da capital paranaense. Essas práticas são metodologias que priorizam o diálogo e a resolução pacífica de conflitos, buscando reparar os danos causados em vez de punir os envolvidos.

O projeto já impactou mais de 600 jovens de 14 a 17 anos, especialmente aqueles em situação de pobreza e vulnerabilidade social nas periferias de Curitiba. De acordo com Cezar Bueno de Lima, professor e pesquisador da PUCPR, a violência escolar está ligada a questões sociais mais amplas, como falta de moradia, saúde e trabalho. Ele destaca que muitos adolescentes precisam conciliar estudo e emprego, o que aumenta a pressão e os conflitos. “Mais da metade dos adolescentes precisa trabalhar”, afirma.

O projeto atua em escolas como o Colégio Estadual Guilherme Maranhão, no Tatuquara, e outras unidades nos bairros Santa Rosa, Cajuru e Bairro Novo. Em 2023, a iniciativa foi expandida para o Colégio Avelino Vieira, no Fazendinha. Segundo o professor, a justiça restaurativa na escola promove a democracia deliberativa, onde decisões são tomadas em grupo, envolvendo ofensor, ofendido e comunidade escolar. “O objetivo não é etiquetar o aluno como infrator, mas restaurar os laços sociais para que ele possa seguir com sua trajetória escolar”, explica.

O projeto também busca combater todas as formas de violência, incluindo racismo, machismo, capacitismo, LGBTQIA+fobia e etarismo, com a participação ativa de toda a comunidade escolar. A iniciativa visa transformar o ambiente escolar em um espaço de aprendizado e humanização, onde o conflito é uma oportunidade para o crescimento coletivo.

Além de promover a reparação do dano, as práticas restaurativas ajudam a reduzir a evasão escolar e o risco de envolvimento dos jovens com o sistema de justiça juvenil. A proposta é substituir punições tradicionais, como suspensão e expulsão, por processos que incentivem a responsabilização e o diálogo. Com essa abordagem, o projeto contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e ativos socialmente, capazes de compreender seu papel na construção de uma comunidade democrática e solidária.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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