Mitos e verdades sobre o câncer de ovário
No Dia Mundial de Conscientização, oncologista esclarece sintomas, diagnóstico e avanços no tratamento
No Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Ovário, celebrado em 8 de maio, a médica oncologista clínica Débora Dornellas esclarece os principais mitos e verdades sobre essa doença no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 8.020 novos casos por ano no país, com apenas cerca de 20% diagnosticados em estágio inicial.
Um dos maiores desafios do câncer de ovário é a ausência de sintomas claros nas fases iniciais. Débora Dornellas destaca que, na maioria dos casos, a doença não apresenta sinais evidentes no começo. Quando aparecem, os sintomas são inespecíficos, como distensão abdominal persistente, dor pélvica ou abdominal, sensação de saciedade precoce e alterações urinárias ou intestinais. Esses sintomas podem ser confundidos com outras condições menos graves, o que atrasa o diagnóstico.
Não existe atualmente um exame de rastreamento populacional eficaz para o câncer de ovário. Exames como ultrassonografia transvaginal e dosagem do marcador CA-125 são usados apenas em casos suspeitos ou em grupos de maior risco, como mulheres com histórico familiar ou mutações genéticas. No entanto, esses métodos não têm sensibilidade e especificidade suficientes para o rastreamento em larga escala.
A maioria dos casos, mais de 70%, é diagnosticada em estágios avançados (III e IV), quando o câncer já se espalhou para outras regiões do abdômen. Nesses estágios, as taxas de sobrevida são mais baixas, reforçando a importância do diagnóstico precoce, que pode elevar a sobrevida em cinco anos para cerca de 90%.
No campo do tratamento, houve avanços significativos. Além da cirurgia e quimioterapia tradicionais, a abordagem atual inclui terapias-alvo que atuam em mecanismos específicos das células tumorais. Essas terapias podem reduzir o risco de progressão da doença e prolongar a sobrevida, especialmente quando usadas como manutenção após a quimioterapia.
A testagem genética é fundamental no câncer de ovário. Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 aumentam o risco da doença, com chances de 35-45% para BRCA1 e 15-25% para BRCA2 ao longo da vida. Identificar essas mutações permite um tratamento mais personalizado e acesso a terapias inovadoras, além de contribuir para um diagnóstico mais preciso e melhores desfechos clínicos.
A conscientização sobre os fatores de risco, sintomas e avanços no tratamento é essencial para melhorar a jornada das pacientes com câncer de ovário. O conhecimento qualificado pode fazer a diferença na detecção precoce e no acesso a terapias eficazes.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



