NR-1 exige gestão da saúde mental nas empresas diante de recorde de afastamentos

Atualização da norma obriga empresas a identificar e prevenir riscos psicossociais após aumento de afastamentos por transtornos mentais

A partir de maio de 2026, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a exigir que todas as empresas, independentemente do porte, adotem medidas para identificar, avaliar e gerir riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A atualização da norma ocorre em meio a um cenário preocupante: o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, um aumento de cerca de 15% em relação ao ano anterior, o maior da série histórica. Os principais motivos para esses afastamentos são ansiedade, depressão e a síndrome de burnout, que teve seus casos praticamente triplicados nos últimos anos. Atualmente, os transtornos mentais representam cerca de 13,6% de todos os auxílios-doença concedidos no país, consolidando-se como uma das principais causas de afastamento do trabalho.

O que muda com a atualização da NR-1
Com a nova regra, os riscos psicossociais passam a integrar oficialmente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas. Isso significa que fatores como sobrecarga de trabalho, pressão excessiva por metas, jornadas longas e ambientes tóxicos deverão ser monitorados e mitigados, assim como já ocorre com riscos físicos e químicos. A médica psiquiatra Andressa Clemente, docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, destaca que a medida é um avanço necessário. Ela explica que o burnout se instala de forma progressiva, com sintomas como alterações do sono, irritabilidade e queda de desempenho antes mesmo do afastamento. A identificação formal desses riscos permite intervenções precoces e prevenção do agravamento dos quadros.

Responsabilidades legais e desafios culturais
A atualização da NR-1 também traz implicações jurídicas importantes. O advogado trabalhista Mauricio Jacobi dos Santos, docente do curso de Direito da Afya de Pato Branco, explica que as empresas passam a ter maior responsabilidade sobre o ambiente laboral. A omissão ou ações inadequadas podem gerar demandas judiciais por danos morais e ações regressivas do INSS para ressarcimento de despesas decorrentes de afastamentos. Empresas que não comprovarem ações preventivas poderão ser autuadas e terão dificuldades para se defender em eventuais processos. Segundo o advogado, o maior desafio é a mudança cultural dentro das organizações, para que líderes e colaboradores trabalhem juntos em prol do bem-estar comum. Isso exige capacitação constante, canais de escuta e políticas efetivas de prevenção, com participação ativa dos trabalhadores. Com o crescimento acelerado dos afastamentos, que já ultrapassam meio milhão por ano e aumentaram 800% nos últimos quatro anos, a saúde mental deixa de ser um tema secundário e passa a ser central nas estratégias corporativas. A nova NR-1 estabelece que cuidar da saúde emocional dos trabalhadores é uma obrigação legal, não apenas uma boa prática.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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