Filha transforma memórias da mãe sobrevivente do Holocausto em livro
Silvia Wolosker Levi reconstrói a história da mãe que viveu infância escondida na Segunda Guerra Mundial
No Dia das Mães, o livro *La Petite Charlotte: Memórias de dor, raízes de amor*, escrito por Silvia Wolosker Levi, reconstrói a trajetória de sua mãe, Charlotte Goldsztajn Wolosker, sobrevivente do Holocausto que hoje tem 88 anos. Charlotte viveu a infância escondida durante a Segunda Guerra Mundial, separada da mãe e protegida em esconderijos, como um convento e a casa de uma família católica na França ocupada. O trauma da guerra permaneceu silenciado por décadas dentro da família.
Silvia relata que aprendeu sobre o Holocausto apenas na escola, pois a dor era um “território interditado” em casa. Foi somente após o neto de Charlotte perguntar sobre sua história que a sobrevivente decidiu romper o silêncio. Mãe e filha então iniciaram um processo intenso de escuta e reconstrução da memória, marcado por conversas emocionadas e difíceis. Charlotte recorda que, na infância, não compreendia o que acontecia ao seu redor, apenas seguia as orientações da mãe para sobreviver.
O pai de Charlotte, preso e deportado para campos de concentração, incluindo Auschwitz, sobreviveu e reencontrou a família após o fim da guerra. Em seguida, todos imigraram para o Brasil, onde reconstruíram suas vidas.
Mais do que um relato histórico, *La Petite Charlotte* é uma narrativa sobre relação, escuta e reconstrução entre gerações. O livro evidencia como o silêncio pode atravessar o tempo e como a escuta pode romper esse ciclo, trazendo à tona memórias que ajudam a compreender o passado e a refletir sobre o presente.
O lançamento da obra ocorre em um momento em que o antissemitismo no Brasil permanece elevado, conforme relatório da Confederação Israelita do Brasil (CONIB). O país registrou 989 ocorrências formais em 2025, número 149% maior que em 2022, indicando um “novo normal” de intolerância, especialmente no ambiente digital.
Silvia destaca que o livro é um alerta contra o ódio e a perseguição, que começam no silêncio, na negação e na indiferença. Charlotte reforça a importância de o amor prevalecer e que as novas gerações entendam que nenhum preconceito é justificável.
Neste Dia das Mães, a obra propõe uma reflexão sobre o vínculo entre mães e filhos como uma ponte entre passado e futuro, memória e identidade, mostrando que a escuta e o diálogo são essenciais para preservar histórias e combater a intolerância.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



