Por que nem todos emagrecem com canetas para emagrecer, diz especialista
Endocrinologista do CEUB explica que genética, metabolismo e estilo de vida influenciam resultados dos medicamentos para emagrecimento
Medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, têm ganhado destaque no tratamento da obesidade, mas nem todas as pessoas apresentam resultados satisfatórios com essas “canetas” para perder peso. A endocrinologista Suelem Izumi Lima, professora de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), explica que cerca de 10% dos pacientes não respondem significativamente a esses medicamentos devido à variabilidade biológica individual.
Segundo a especialista, a obesidade é uma condição multifatorial que envolve a interação entre cérebro, hormônios, genética e ambiente. “O fator genético pode explicar de 40% a 70% da variação do peso corporal”, afirma. Quando essa predisposição genética se combina com fatores ambientais, como alimentação inadequada e sedentarismo, o risco de ganho de peso aumenta.
Além disso, o organismo pode dificultar o emagrecimento. “Quando a pessoa perde peso, o cérebro ativa mecanismos de defesa para preservar energia, o que pode reduzir o ritmo da perda e até favorecer o reganho”, complementa Suelem Lima. Essa resposta biológica explica por que algumas pessoas enfrentam maior dificuldade para emagrecer, mesmo com o uso dos mesmos medicamentos.
Uma pesquisa publicada na revista Nature identificou preditores genéticos que influenciam a eficácia dos análogos de GLP-1, classe à qual pertencem Ozempic e Mounjaro. O estudo revela que variantes no DNA podem determinar se o paciente terá uma perda de peso expressiva ou se fará parte do grupo “não respondedor”.
Diante dessa complexidade, a endocrinologista reforça a importância de alinhar expectativas antes de iniciar o tratamento. “Nem todos terão respostas rápidas ou expressivas. O tratamento precisa ser individualizado e sempre associado a mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e sono adequado”, destaca.
Quando o tratamento medicamentoso não apresenta resultados satisfatórios, a recomendação é reavaliar a estratégia terapêutica. Isso pode incluir ajuste da medicação ou da dose, investigação de fatores hormonais ou metabólicos, reforço nas mudanças de hábitos e abordagem multidisciplinar com nutricionistas e outros profissionais.
Suelem Lima alerta que a obesidade é uma doença crônica, progressiva e com tendência à recorrência. “Ao interromper o tratamento, é comum haver recuperação do peso. Por isso, o acompanhamento médico contínuo e as estratégias individualizadas são essenciais para o sucesso a longo prazo.”
O Centro Universitário de Brasília (CEUB), onde a especialista atua, é referência em ensino superior e pesquisa, contribuindo para o avanço do conhecimento na área da saúde e qualidade de vida.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



