Cortar glúten sem orientação pode atrasar diagnóstico e prejudicar saúde
Especialistas alertam que eliminar glúten por conta própria dificulta diagnóstico e pode causar deficiências nutricionais
Cortar o glúten por conta própria, sem orientação médica, pode atrasar o diagnóstico de doenças importantes e prejudicar a saúde. Essa prática, que se popularizou como um modismo alimentar, pode mascarar sintomas e dificultar a investigação correta, alertam especialistas.
O glúten deve ser evitado apenas em condições específicas, como a doença celíaca, a alergia ao trigo e a sensibilidade ao trigo não celíaca. A doença celíaca é uma condição autoimune que causa inflamação e dano ao intestino delgado, enquanto a alergia ao trigo é uma reação imunológica clássica. Já a sensibilidade ao trigo não celíaca provoca sintomas sem lesão intestinal.
Os sintomas associados ao consumo de glúten podem variar e nem sempre são apenas intestinais. Entre os mais comuns estão diarreia crônica, constipação, distensão abdominal, gases, dor abdominal, perda de peso, anemia, fadiga, dor de cabeça e alterações de humor. No entanto, nem todo desconforto após consumir alimentos com glúten está relacionado a ele. Outras condições, como síndrome do intestino irritável e intolerâncias alimentares, também podem causar sintomas semelhantes.
Para diagnosticar corretamente a doença celíaca, é fundamental que o paciente esteja consumindo glúten regularmente. Os exames principais são a sorologia específica, que detecta anticorpos no sangue, e a endoscopia com biópsia do intestino delgado. Se o glúten for retirado antes da avaliação, os testes podem apresentar resultados falsamente negativos ou inconclusivos, atrasando o diagnóstico por meses ou até anos. Além disso, a reintrodução do glúten para refazer os exames pode ser desconfortável para o paciente.
No Brasil, a doença celíaca ainda é subdiagnosticada, em parte devido à baixa suspeição clínica e à diversidade de sintomas. Apesar disso, os exames necessários para o diagnóstico estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) e têm cobertura obrigatória na saúde suplementar, conforme as diretrizes vigentes.
Além do risco de atrasar o diagnóstico, a exclusão do glúten sem necessidade pode levar a deficiências nutricionais, especialmente de fibras, ferro e vitaminas do complexo B. Também pode resultar em dietas restritivas desnecessárias, aumento do custo alimentar e uma falsa sensação de tratamento sem o diagnóstico correto.
A recomendação dos especialistas é clara: não retire o glúten por conta própria diante de sintomas. Qualquer mudança alimentar deve ser baseada em diagnóstico médico. O caminho seguro é buscar avaliação profissional, realizar a investigação adequada e só então definir a conduta alimentar.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



