A transformação do autocuidado masculino em estilo de vida

Durante muito tempo, o cuidado pessoal masculino esteve restrito ao básico, influenciado por uma construção cultural que delimitava o que era aceitável dentro do universo masculino. Olhar para o próprio corpo com atenção, investir em bem-estar ou dedicar tempo à saúde era incomum e muitas vezes evitado. Atualmente, esse cenário mudou de forma evidente. Entre 2018 e 2024, os tratamentos estéticos não cirúrgicos realizados por homens cresceram 116%, segundo a International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). No Brasil, um dos maiores mercados de beleza e cuidados pessoais do mundo, com cerca de US$ 27 bilhões movimentados segundo a Euromonitor International (2024), a presença masculina avança de forma consistente, indicando uma mudança que vai além do consumo.

Essa transformação reflete uma mudança de consciência, na qual o homem passa a se permitir cuidar de si sem o peso de uma construção cultural que associava esse comportamento à vaidade ou ao excesso. Homens das gerações X e Y cresceram sob a ideia de que olhar para si era desnecessário ou incompatível com o esperado do masculino. Já as gerações Z e Alpha se desenvolvem em um ambiente onde identidade, imagem e presença são constantemente construídas e expostas, o que transforma a relação com o próprio corpo.

Os efeitos dessa mudança ultrapassam o campo individual, com maior acesso à informação, influência das redes sociais e naturalização de temas antes considerados tabu. O cuidado deixa de ser pontual e passa a ser contínuo, integrando-se ao dia a dia. Mudanças nos hábitos relacionados à alimentação, atividade física e estética refletem essa nova postura. A vaidade masculina, antes pontual, ocupa um espaço mais consistente na rotina, conectada à saúde e ao bem-estar.

Esse movimento eleva o nível de exigência do público masculino, que busca mais qualidade, compara experiências e valoriza os serviços e produtos consumidos. O autocuidado ganha um território mais amplo, ligado à saúde, autoestima e vitalidade, focado em equilíbrio e bem-estar, não apenas aparência. Assim como as mulheres redefiniram sua relação com o corpo nas últimas décadas, os homens iniciam um caminho semelhante, ainda em construção, mas cada vez mais evidente.

Mais do que uma mudança de comportamento, observa-se uma transformação na forma como o homem se enxerga e se apresenta. A vaidade deixa de ser periférica e integra a rotina de maneira natural, refletindo atenção aos detalhes, cuidado com a imagem e maior consciência de si. Surge uma nova forma de presença, mais segura, intencional e alinhada com a identidade masculina.

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Por Luiz Fernando Carvalho

publicitário, fundador e CEO da Homenz, palestrante, mentor e investidor, com experiência em marketing, gestão e franchising

Artigo de opinião

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