Thriller investigativo aborda feminicídio e privilégios em Curitiba

Livro de Andressa Tabaczinski explora violência de gênero e estruturas sociais na alta sociedade curitibana

O thriller investigativo “Boas meninas se afogam em silêncio”, de Andressa Tabaczinski, traz à tona o feminicídio de Amélia Moura, uma jovem herdeira da alta sociedade curitibana. A trama, ambientada em Curitiba, desmonta a imagem de moralidade da cidade e expõe vínculos violentos e privilégios sociais que permeiam a elite local.

A história começa após uma tempestade, quando o corpo de Amélia é encontrado com sinais de estrangulamento em uma área afastada da cidade, em meio às araucárias. O caso, antes arquivado por falta de provas, é reaberto diante da pressão da mídia e da opinião pública. A delegada Ana Cervinski e o policial Júlio Brag conduzem a investigação, que revela segredos da vítima, incluindo encontros secretos com uma mulher, registrados por câmeras de segurança. Essa descoberta desmonta a narrativa da “boa menina” e evidencia como a repressão à sexualidade feminina atua como um mecanismo de silenciamento dentro de estruturas conservadoras.

O romance articula a investigação policial com o drama familiar e uma crítica às dinâmicas de poder e privilégios sociais. Andressa Tabaczinski, médica e escritora, ambienta o livro no contexto da chamada “República de Curitiba”, período marcado pela Operação Lava Jato e um orgulho coletivo em torno de uma suposta superioridade moral. Casos reais de violência e impunidade na cidade influenciaram a construção da narrativa, que levou dois anos para ser concluída.

A estrutura do livro intercala o trabalho dos investigadores com a perspectiva da protagonista nos meses que antecedem o crime, criando um ritmo intenso e envolvente, semelhante às melhores séries de investigação. A autora aborda temas como violência contra a mulher, descoberta da sexualidade e tensões sociais com uma combinação de brutalidade e ternura.

Para Andressa, a jornada de autodescoberta da protagonista confronta valores conservadores, expectativas de gênero e relações familiares que limitam o que pode ser vivido ou desejado. A tentativa de “bancar o próprio desejo” pode ser vista como ameaça, desencadeando violência. A autora defende que narrativas como essa são essenciais para nomear e tensionar as estruturas que permitem essas violências.

Nascida em 1990, em Passo Fundo (RS), criada em Balneário Camboriú (SC) e atualmente residente em Brasília (DF), Andressa Tabaczinski formou-se em Medicina pela Univali e atuou como clínica geral antes de iniciar residência em Psiquiatria, em Porto Alegre. Em 2018, após um episódio de burnout, interrompeu a formação para se dedicar integralmente à literatura. Viveu no Rio de Janeiro, onde se tornou sócia da Editora Oito e Meio e da escola Carreira Literária, ao lado da esposa, Flávia Iriarte. Atua como publisher, curadora e mentora em Escrita Criativa.

Atualmente, finaliza seu segundo romance, um thriller psicológico ambientado no litoral do Rio Grande do Sul. A trama acompanha um psiquiatra que, após um apagão, passa a acreditar que pode ter cometido um assassinato e foge pela costa gaúcha com o sobrinho de sete anos, em uma narrativa de estrada que investiga culpa, paranoia e responsabilidade afetiva.

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