Semana Mundial da Imunização alerta para sarampo e queda vacinal

Dados do Anuário VacinaBR 2025 mostram estagnação na adesão a reforços vacinais

Semana Mundial da Imunização acende alerta no Brasil com retorno do sarampo e queda vacinal

Dados do Anuário VacinaBR 2025, levantamento promovido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), revelam que, embora a proteção inicial seja alta, a adesão a reforços essenciais como pólio e tríplice viral permanece estagnada entre 41% e 70%.

Minas Gerais – Abril de 2026. Nesta Semana Mundial da Imunização, celebrada de 24 a 30 de abril, o debate sobre a importância das vacinas ganha ainda mais urgência no Brasil e no mundo. Um dos principais alertas recentes veio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que no início de 2026 destacou o avanço preocupante do sarampo nas Américas.

Segundo o OPAS, a região registrou quase 15 mil casos da doença em 2025, um aumento de 32 vezes em relação ao ano anterior, além de 29 mortes. A tendência de alta se mantém em 2026, com mais de mil novos casos confirmados apenas nas primeiras semanas do ano. A maioria das infecções (78%) ocorreu entre pessoas não vacinadas ou com histórico vacinal desconhecido.

No Brasil, a situação segue a mesma linha de alerta. Em abril de 2026, o país confirmou dois casos de sarampo, um no Rio de Janeiro em uma jovem adulta sem histórico de vacinação, e outro em São Paulo, em um bebê que havia viajado recentemente para a Bolívia, onde há surto ativo.

O infectologista e professor da Afya São João Del Rei, Dr. Américo Calvazara Neto, comenta que o sarampo é frequentemente subestimado. No entanto, sua altíssima transmissibilidade, com taxa de ataque superior a 90% em indivíduos suscetíveis, o torna um marcador sensível de falhas na cobertura vacinal.

“Mais do que isso, é uma doença potencialmente grave, associada a complicações como pneumonia, encefalite e mortalidade evitável, especialmente em populações não vacinadas. O Brasil contém a certificação de eliminação da circulação endêmica do sarampo. Contudo, esse status não é permanente. Em um mundo globalizado, com intensa mobilidade populacional e surtos ativos em países vizinhos, o risco de reintrodução do vírus é constante. E, como demonstram os casos recentes, basta a presença de grupos suscetíveis para que a cadeia de transmissão se restabeleça.”

De acordo com dados do Anuário VacinaBR 2025, mais de 80% dos brasileiros residem em municípios que não conseguiram atingir as metas estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). A análise da Rede Nacional de Dados de Saúde revela que o sucesso da imunização no Brasil está concentrado nas primeiras etapas da vida. Em 2025, os únicos imunizantes que superaram a meta populacional foram a BCG e a vacina contra Hepatite B para recém-nascidos.

Porém, o cenário muda conforme a criança cresce e necessita de múltiplas doses ou reforços. Vacinas essenciais como a pólio, a pentavalente e a própria tríplice viral enfrentam barreiras de adesão, com diversos municípios estagnados em faixas de cobertura intermediárias, entre 41% e 70%.

Dr. Américo Calvazara explica que este movimento é um sinal de fragilidade do seguimento longitudinal da criança e que as consequências vão além do sarampo.

“A poliomielite, erradicada no Brasil há décadas, ainda é uma ameaça latente. A queda na cobertura pode permitir a reintrodução do vírus e o surgimento de variantes em contextos de baixa imunização. Por isso, é necessário repensar estratégias, priorizando microplanejamento, busca ativa, integração com escolas e atenção primária, ampliação do acesso e uso de tecnologia para monitoramento e lembretes. Na prática, isso significa menos campanha genérica e mais ação direcionada: identificar áreas e grupos com atraso vacinal, ampliar horários, integrar serviços (escola, maternidade, creche e atenção primária), realizar busca ativa por ACS e equipes de saúde da família e enviar lembretes.”

Ainda assim, é essencial reconstruir a confiança, informa o infectologista da Afya. A hesitação vacinal deve ser enfrentada com escuta, comunicação clara e vínculo. Para famílias com dúvidas, o caminho é acolher, explicar risco-benefício e reforçar que eventos graves são raros, enquanto o risco da doença é real.

“No âmbito familiar, manter a caderneta atualizada garante proteção individual e coletiva. Aos pais: confiram a cada consulta; não esperem campanha; em caso de atraso, procure a UBS (geralmente sem reiniciar o esquema); e usem caderneta física e digital. Vacina atrasada é proteção adiada”, conclui o especialista.

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