Muito além do look igual: o que está por trás da tendência mãe e filha
Tendência vai além das peças iguais e mostra como estilo, identidade e conexão entre gerações se encontram na forma de vestir
Os looks coordenados entre mãe e filha seguem em evidência, mas o que antes era visto como uma escolha puramente estética vem ganhando novos significados. Mais do que repetir peças ou criar combinações idênticas, a tendência reflete uma mudança na forma como essas relações são construídas — passando pela identidade, pela memória afetiva e pela maneira como diferentes gerações se enxergam.
Hoje, a ideia de “combinar” aparece de forma mais sutil e menos literal. Em vez de looks iguais, o que se vê são conexões visuais construídas a partir de cores, modelagens, tecidos ou propostas de estilo. É uma forma de diálogo entre mãe e filha que respeita as diferenças de idade, corpo e momento de vida, sem abrir mão da individualidade.
Para Karine Strapazzon, fundadora da marca de beachwear Arsie, esse movimento acompanha uma transformação mais ampla na relação das mulheres com a própria imagem. “Não é sobre estar igual, é sobre se reconhecer. A roupa acaba sendo uma extensão desse vínculo, mas o mais interessante é perceber como cada uma adapta aquilo para o próprio corpo e fase. Isso traz mais verdade para o jeito de se vestir”, afirma.
Essa construção, no entanto, vai além da estética e envolve decisões técnicas importantes. Mesmo quando há uma proposta de coordenação entre mãe e filha, as peças não são simplesmente replicadas em tamanhos diferentes. Na Arsie, por exemplo, a linha teen é desenvolvida de forma independente, considerando as particularidades de um corpo em transformação, com proporções, necessidades e gradações próprias — o que exige ajustes específicos de modelagem, cobertura e vestibilidade para garantir conforto e segurança no uso.
“Não faz sentido pegar uma peça adulta e só reduzir. São corpos diferentes, com necessidades diferentes. A modelagem precisa acompanhar isso, trazendo mais cobertura, conforto e liberdade de movimento, principalmente para esse público mais jovem”, explica Karine.
A escolha dos materiais também segue essa lógica. Embora a marca utilize tecidos tecnológicos em todas as linhas, como opções com proteção UV 50+ e materiais desenvolvidos a partir de fibras recicladas, alguns recursos presentes no adulto não aparecem no teen — justamente por não serem necessários. Ao mesmo tempo, há um cuidado em garantir conforto térmico, resistência e praticidade para um uso mais intenso, comum nessa faixa etária.
“Quando a gente fala de público teen, existe uma preocupação maior com mobilidade e segurança. São peças que precisam acompanhar o movimento, o dia inteiro, sem incomodar. Ao mesmo tempo, elas querem se expressar, então a gente traz tendência, cor, textura, mas sempre equilibrando com conforto”, afirma.
Esse equilíbrio também aparece na proposta de looks coordenados. A ideia não é criar cópias exatas, mas estabelecer uma conexão visual que permita diferentes interpretações. “O mais interessante é quando existe harmonia sem padronização. Às vezes é a mesma cor em modelagens diferentes, ou estampas que conversam entre si. Cada uma escolhe o que faz sentido para o seu corpo e estilo”, diz.
A maternidade, por sua vez, adiciona outra camada a essa relação. As transformações do corpo ao longo da vida impactam diretamente a forma de se vestir e exigem adaptação constante. “O corpo muda, as prioridades mudam, e isso influencia completamente a escolha das roupas. Quando a peça acompanha essas transformações, oferecendo conforto e segurança, a relação com o vestir se torna mais leve”, explica Karine.
Mais do que uma tendência visual, os looks coordenados entre mãe e filha revelam um comportamento contemporâneo: o de enxergar a moda como uma extensão da identidade e das relações. Em comum, não está apenas a roupa, mas a forma como cada uma se reconhece, e se conecta através dela.



