Cranioestenose: diagnóstico precoce é decisivo para o desenvolvimento do bebê

A cranioestenose, também chamada de craniossinostose, é uma malformação congênita em que as suturas do crânio, que deveriam

A cranioestenose, também chamada de craniossinostose, é uma malformação congênita em que as suturas do crânio, que deveriam permanecer abertas nos primeiros anos de vida, se fecham precocemente. Sem essa folga natural, o crânio deixa de acompanhar o crescimento do cérebro. A condição atinge cerca de um a cada dois mil nascidos vivos.

No início, a cranioestenose pode passar despercebida, pois não causa dor nem sintomas imediatos. O primeiro sinal geralmente é visual, com alterações no formato da cabeça, como assimetria, testa projetada, formato triangular, achatamento posterior ou crescimento desigual entre os lados. O fechamento das fontanelas (moleira) não é indicativo da doença, pois elas podem se fechar em tempos diferentes sem representar problema.

O neurocirurgião pediátrico Alexandre Canheu explica que a cranioestenose é uma doença silenciosa, que pode não chamar atenção imediatamente, mas o cérebro continua crescendo e, sem espaço, os problemas começam a aparecer. Cerca de 80% do crescimento cerebral ocorre até o primeiro ano de vida, período em que o cérebro mais precisa de espaço.

Sem tratamento, a cranioestenose pode levar a aumento da pressão intracraniana, comprometimento visual e auditivo, dificuldades respiratórias e atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor. Em casos mais graves, os prejuízos podem ser permanentes.

O tratamento consiste na cirurgia para reconstrução óssea do crânio, que cria o espaço necessário para o cérebro crescer. O procedimento, delicado, não envolve intervenção direta no cérebro e pode ser realizado a partir dos três meses de vida, idealmente antes do primeiro ano. Quando feito no tempo certo, permite que a criança se desenvolva normalmente.

Casos reais ilustram a importância do diagnóstico precoce. Por exemplo, Lucca, do interior de Rondônia, foi diagnosticado com trigonocefalia, um tipo de cranioestenose, com pouco mais de um mês de vida. Após cirurgia no Paraná, o bebê apresentou melhora no formato do crânio, comportamento, sono e interação.

Outro caso é o dos gêmeos Rafael e Theo, de Santa Catarina, que tiveram diagnóstico tardio após serem inicialmente tratados para outra condição neurológica. O atraso no diagnóstico resultou em dores de cabeça, irritabilidade e comprometimentos motores e funcionais. Após a cirurgia, houve evolução intelectual e motora reconhecida pelos profissionais.

A história da pequena Theodora, que teve suspeita de alteração craniana ainda na gestação, também destaca a importância da investigação. Após o nascimento, a confirmação da escafocefalia levou à cirurgia, que resultou em melhora no formato da cabeça e no desenvolvimento da criança.

A cranioestenose ainda é pouco conhecida e frequentemente confundida com variações normais do formato da cabeça ou alterações posturais, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento. Por isso, a observação cuidadosa do formato da cabeça do bebê e a busca por avaliação especializada são fundamentais para garantir o desenvolvimento saudável da criança.

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