Dia de combate à alienação parental destaca sinais e impactos na saúde mental infantil
Especialistas explicam a alienação parental e seus efeitos em crianças e adolescentes
No Dia Internacional de combate à alienação parental, celebrado em 25 de abril, especialistas destacam a importância de reconhecer e enfrentar esse fenômeno que afeta diretamente a saúde mental de crianças e adolescentes. A alienação parental, conforme definida pela Lei nº 12.318/2010, consiste na interferência na formação psicológica dos menores por um dos responsáveis ou por quem detenha sua guarda, comprometendo o desenvolvimento emocional saudável. A legislação prevê medidas que vão desde advertências até a inversão da guarda, com o objetivo de garantir o direito à convivência equilibrada e a um ambiente familiar saudável.
Contudo, identificar a alienação parental é um desafio que exige análise cuidadosa das dinâmicas familiares e avaliações psicológicas detalhadas, pois não se trata de um diagnóstico clínico, mas pode gerar consequências profundas na autoestima, segurança emocional e capacidade de estabelecer vínculos.
A professora de psicologia Dra. Mariana Ramos, do Afya Centro Universitário Itaperuna, ressalta a complexidade do tema, que envolve aspectos emocionais, cognitivos, jurídicos e relacionais. Ela enfatiza a importância da atuação multiprofissional e da intervenção precoce para reduzir danos e evitar a consolidação de padrões disfuncionais. Segundo a especialista, “difamar a imagem de um dos responsáveis não impacta apenas essa pessoa, mas também a construção do autoconceito da criança, o que pode acarretar danos significativos”.
A terapia é apontada como um espaço seguro para que crianças e adolescentes expressem sentimentos reprimidos, com o terapeuta atuando como mediador da compreensão emocional. Entre os objetivos estão fortalecer a autonomia emocional, trabalhar a regulação de sentimentos como culpa e ansiedade e auxiliar na reconstrução de vínculos familiares.
O médico e professor Dr. Rodrigo Eustáquio, da pós-graduação em Psiquiatria da Afya Vitória, destaca que crianças expostas a rupturas forçadas de vínculo têm maior risco de desenvolver transtornos de ansiedade, sintomas depressivos e dificuldades nas relações afetivas. Ele alerta para a necessidade de prudência no diagnóstico, pois nem toda rejeição a um dos pais é resultado de alienação parental, podendo estar associada a negligência ou violência.
Os especialistas listam nove sinais de possível alienação parental: rejeição intensa e sem justificativa clara a um dos responsáveis; repetição de falas negativas com linguagem “adultizada”; polarização afetiva; medo, culpa ou ansiedade ao demonstrar afeto; rompimento abrupto de vínculo saudável; dificuldade em expressar sentimentos; irritabilidade ou mudanças comportamentais; alterações no sono; e queda no rendimento escolar.
O foco principal deve ser a proteção da criança, promovendo vínculos saudáveis, reduzindo conflitos e garantindo intervenções baseadas em evidências e conduzidas com responsabilidade.
O conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.



