Recife sedia congresso sobre avanços no tratamento do câncer gástrico e digestivo
Evento reúne especialistas para discutir estudos que ampliam opções terapêuticas e melhoram prognóstico
Recife recebe entre os dias 30 de abril e 2 de maio de 2026 o V Congresso Brasileiro de Câncer Digestivo ONCOGI 2026, promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). O evento acontece pela primeira vez no Nordeste e reúne especialistas brasileiros e internacionais para discutir avanços recentes no tratamento dos tumores do aparelho digestivo, com impacto direto nas chances de cura e na sobrevida dos pacientes.
Um dos destaques do congresso é o estudo que demonstra aumento da resposta completa no câncer gástrico, elevando a taxa de desaparecimento completo do tumor antes da cirurgia de 7% para 19%. Além disso, houve redução de 29% no risco de recorrência da doença ou morte. Esses dados serão debatidos em sessão específica no dia 1º de maio, às 14h, com a participação de especialistas nacionais e internacionais.
Outro tema central é o estudo TRANSMET, que avaliou o transplante hepático em pacientes com câncer colorretal avançado com metástases restritas ao fígado e sem possibilidade de ressecção cirúrgica. Os resultados indicam que a sobrevida global em cinco anos foi de 9% para pacientes tratados apenas com quimioterapia, enquanto chegou a 73% para aqueles submetidos ao transplante hepático associado à quimioterapia. Esse avanço representa uma mudança relevante na abordagem terapêutica, considerando o transplante como alternativa curativa para pacientes selecionados.
O congresso também destaca o estudo ATOMIC, que avaliou a adição de imunoterapia ao tratamento padrão após cirurgia em pacientes com câncer de cólon estágio III. Os resultados mostraram redução de 50% no risco de recorrência ou morte, com sobrevida livre de doença em três anos de 86,4% para pacientes que receberam imunoterapia, contra 76,6% para os tratados apenas com quimioterapia. Essa evidência reforça a inclusão da imunoterapia em cenários com intenção curativa, especialmente em tumores com características genéticas específicas.
No câncer de esôfago, o estudo ESOPEC comparou estratégias de tratamento, indicando superioridade da quimioterapia perioperatória com o esquema FLOT em relação à quimiorradioterapia pré-operatória. A sobrevida global média foi de 66 meses no grupo tratado com FLOT, contra 37 meses no grupo com outra estratégia, consolidando uma mudança no padrão terapêutico.
Além dos avanços clínicos, o congresso aborda desafios das políticas públicas na oncologia digestiva, com foco na redução do tempo de diagnóstico e ampliação do acesso ao tratamento. A programação inclui temas como tumores esofágicos, gástricos, hepáticos, pancreáticos, neuroendócrinos, sarcomas, diretrizes clínicas, tecnologias e inovação.
Especialistas internacionais participam do evento, ampliando o intercâmbio científico. Entre eles estão cirurgiões e pesquisadores do Canadá, Itália, Chile, Índia e França, que apresentam avanços em cirurgia robótica, técnicas minimamente invasivas, uso de fluorescência e transplante hepático.



